Editorial | Livro Artesanal

Por Lunna Guedes

 

 

Escolhi o modelo artesanal quando pensei em publicar um livro escrito por mim… por achar charmoso, elegante, mas principalmente por me permitir ousar, sem precisar ficar presa ao modelo tradicional-convencional. Nunca fui fã de prateleiras, sempre gostei do livro em mãos… toque-tato-virar-de-folhas.

E sempre fui apaixonada pelo universo underground… no tempo do colégio me divertia forjando zines, inventando revistas alternativas. O prazer de criar-transformar-reinventar sempre me fez pulsar-agir…

Eu vivia-vivo em constante fuga do universo comum-igual… onde o livro é um mero objeto para prateleiras, produzido para agradar o mercado e não o Leitor, que se acostumou a comprar os famosos e enlatados best-sellers — tampouco o autor, que sempre se rende ao cenário por ter um sonho de ver seu livro em vitrines, como se fosse uma mera peça de roupa.

revista-plural

Mas, até alcançar o modelo de ‘livro de artista’ desejado, foram meses de exercícios, um sem-fim de erros, tropeços e alguns — poucos, bem poucos — acertos.

Nem todos que começaram comigo… permaneceram e daria para fazer um livro com a quantidade de desaforos que recebi, por causa dos problemas que surgiram no decorrer do processo.

Até traçar todas as linhas do meu mapa particular, foram quase dois anos. Usei diferentes tipos de papel, linhas, fitas… experimentei costura belga, tradicional, romana e, por fim… acabei completamente seduzida-fascinada-encantada pela costura oriental, com seus furos e encaixes de blocos, alinhavados por fitas de cetim.

plural

Ver as pessoas com os olhares atentos ao que entrego em alguns lançamentos é gratificante e me faz, cada vez mais, perceber que valeu a pena todo o processo, afinal, só vale a pena se existir o dia seguinte!

 lua de papel

Eu escolhi ir na contramão da realidade… fazer poucos livros, com charme, elegância e, sobretudo, com o prazer de brindar o Autor-Leitor com um livro que – além de palavras – carrega um toque pessoal… de maneira que cada exemplar seja único.

Somos como uma lagarta em fase de mutação – quem sabe amanhã seremos uma farfalla

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