Resenha | o lado de dentro de Mariana Gouveia

Por Adriana Aneli

O lado de dentro (Scenarium, 2015) instiga à penetração, este mergulho no escuro… nada por acaso, a capa do livro se rasga, por e.x.e.m.p.l.o.s, sugerindo ao leitor que se descosture e aprenda a espiar.

É d’O lado de dentro que o olhar atravessa. Sim, Mariana está nua. Poemas se despem ao longo das 72 páginas do livro pelas mãos da jardineira que, por hábito, colhe pessoas no jardim. Nua, não há desculpa perante si mesma. Sem indulgência, Mariana escreve-se em poesia: a chave.

É d’O lado de dentro que a poeta nos atira a chave — da procura de Drummond — e nos convida para instantes de chuva, de sede, de terra, de nuvem, de flor ou de saliva; a densidade do silêncio onde nenhum abismo nos cabe. Ainda assim nos atiramos porque Mariana é “do tipo que te leva a confiar. Quase instinto”.

Sem pistas para seguir na senda, fio-me no tom confessional desta obra de “doçura inquietante e malícia suave” que admirei também nas Canções de Bilitis, de Pierre Louÿs, e que ao final da viagem me leva de volta para casa.

 

[…] Voltei ao seu quintal,
Onde sua presença é tão forte
— que nem parece que se foi.
As flores continuam perfeitas
E as árvores em sintonia
— cantam a canção do vento
Que você dançava.

 

A poesia que me habita ganha a voz de Mariana. A presença marcante da natureza, a fatalidade do tempo, nosso destino de salvar borboletas. Ao final ouço minha voz em eco e força. D’O lado de dentro, dos jardines del útero, do mito estilhaçado do espelho brotam desenhos rupestres, desejos.

 


 

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Resenha | O palco das ousadias de Marcelo Moro

Por Mariana Gouveia

 

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A primeira vez que me deparei com Teatro das Ousadias foi paixão ao primeiro poema e depois ao segundo, ao terceiro e daí por diante… ele veio até mim, destrinchado por uma amiga — ainda cru e mesmo assim deliciosamente ousado.

Com o livro pronto e mãos… eu ganhei o mar e suas ondas arrastando poesias na areia. A lua — amiga inseparável do poeta — desenhou em meu céu… tudo que eu lia.

Viajar pelo livro é saborear uma iguaria única servida aos poucos e deixando na boca o sabor de quero mais. É enveredar pelo mundo dos deuses, das deusas, de um deuso — o próprio poeta — e sentir que você pertence a ele.

Teatro das Ousadias é esse passeio pelo olhar que o poeta tem da poesia… ao folhear cada página, uma cortina se abre entre o encanto e a divindade… entre a magia e a realidade suprema dos poetas.

A ousadia explícita nas palavras, o despir-se diante do leitor… nos faz ousados também e, capazes de imaginar as sensações do homem-poeta, mesmo sendo um perigo constante desvendar a alma de quem escreve.

Não dá para limitar em uma frase a ousadia de Moro… por isso, apenas te convido a percorrer as linhas de seus versos e se sentir o protagonista desse palco que ele lhe oferece. Ouse.

 


 

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