Editorial | O Mercado editorial não pensa leitores, pensa prateleiras cheias…

Por Lunna Guedes


 

Em conversa agitada na tarde de hoje — com uma pessoa que aparenta ter raízes bem fincadas no tal capitalismo, em que o principal objetivo é o capital —, argumentei, sem sucesso algum, sobre minhas estratégias para o meu projeto de vida, denominado “Scenarium”… nome este que tem o seu propósito: ser diferente… nesse cenário cada vez mais orientado por quantidade…

Não é novidade alguma que há cada vez mais pessoas interessadas em publicar livros. Nem mesmo há editoras suficientes para tantas publicações. Mas, inventa-se uma aqui e outra ali… pronto: satisfeitos? Não…

O que se vê — e com alguma frequência — são leitores insatisfeitos, porque os livros são pensados para as vendas e não para agradar a quem gosta realmente de ler. Há exceções… algumas Editoras pensam em agradar aos olhos do leitor, oferecendo livros diferenciados… mas, o resultado final acaba por pesar no bolso do público.

Depois, vemos florescer o velho discurso de que se lê pouco em terras tupiniquins… mas, como pretendemos formar novos leitores ou, ao menos, preservar os antigos?

…se um livro sobre vampiros vende, logo surgem centenas com a mesma temática, com capas parecidas — quase iguais. Algemas e sapatos também tiveram a sua vez e inundaram as prateleiras das livrarias… com um sem-fim de histórias — falsamente — eróticas, que fizeram “corar” pessoas, mesmo as que juraram não ler tais livros, com medo do julgamento impiedoso alheio….

Mas, o que virá a seguir?
Em paralelo, surge de maneira agradável um mercado — ainda novo no Brasil — cuidadosamente pensado para o leitor apaixonado por livros. O livro que não será um best-seller, pois não é essa a idéia.

O gostoso dessa proposta é ser raro… permitindo ao autor a possibilidade de conhecer o seu leitor e receber dele as suas impressões, para que leitor-e-autor ouçam um ao outro, sabendo o que é silêncio e barulho.

Conversei — durante duas horas — sobre a estratégia do livro artesanal com essa pessoa, que não entende como um autor pode se contentar com 30, 60… quiçá 90 leitores…

Não consegui convencê-la, pois o que de fato a incomodou é justamente o que mais me agrada: a tiragem pequena… e não adiantou salientar que muitos autores que pagam suas publicações acabam com caixas de livros amontoadas no fundo do armário… se oferecendo a todo e qualquer estranho que atravessa o seu caminho… as suas publicações…

Enfim, há quem se preocupe em vender e comprar livros e… há quem se preocupe em ser autor e ter leitores.

Em qual grupo você se encaixa?

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5 comentários em “Editorial | O Mercado editorial não pensa leitores, pensa prateleiras cheias…

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