Coluna Plural | A leveza é essencial…

Por Tatiana Kielberman

Existem dias em que o aconchego e o conforto de ser quem sou surgem como uma composição de Bach: com suavidade, num crescente inconfundível, fazendo com que as notas se harmonizem em naturalidade plena…

Há outros momentos, porém, em que quase não me reconheço nas notas da canção. A melodia ganha impasses que repelem a delicadeza da alma, afastando amenidades, e eu tento oferecer uma pitada de poesia aos meus dias, até mesmo quando eles se mostram um pouco nublados…

Infelizmente, não possuo todas as respostas na manga e… a depender das circunstâncias, percebo o quanto me acostumo a simplesmente ‘não estar bem’…

A minha escrita sente… porque ela precisa da canção e da compreensão de suas notas. Eu preciso estar em mim… para alcançar uma percepção mais aguda acerca das minhas fragilidades.

Gosto de escrever com leveza, para que as palavras sejam uma espécie de diálogo comigo mesma. Mas, para isso acontecer, não basta simplesmente esparramar sentimentos sobre o papel… preciso enxergar a solidão como se fosse ela a me encarar de dentro do espelho… a folha em branco, o quarto escuro, a casa vazia, as vozes silenciadas… o diálogo certo, na hora exata.

Ao mesmo tempo, eu temo pela exposição que cada frase fará de mim mesma, de minha própria alma… como escritora, invariavelmente entendo que não tenho como escapar da sensação descabida de insegurança…

Mas, sei que não há uma fórmula mágica capaz de eliminar o medo de me expor em praça pública, frente aos pensamentos que constam ali, nas (entre)linhas…

A vida também não transcorre em silêncio, e eu acabo por sofrer com as coisas mais comuns… com isso, inegavelmente minha escrita se encerra em alguma parte de mim. Eu me pergunto: ‘cadê? cadê? cadê?’…  E a resposta talvez venha ao meu encontro no dia seguinte…

Enquanto isso, assisto as manhãs chegarem, com seu brilho iluminando a janela… sorvo mais um gole de coragem (preferencialmente, disfarçado de café — seu formato mais genuíno!) e me preparo para a vida que desejo re-desenhar… eis uma das armas naturalmente irrealistas da ficção: o campo em que a imaginação do autor e leitor se encontram.

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