02 – Nem sempre a lápis | Maria Florêncio

Oito poemas de Maria Florêncio…


 

parida na acidez de Áries, em uma madrugada de Abril… sob as águas mornas de uma cidade litorânea tupiniquim qualquer. Não gosta de ondas calmas. Brinca até hoje com todas as Marias que lhe habitam. Rabisca suas emoções desde sempre entre grafites e tintas… aprendeu com os Anciões que linhas tinham dores e alegrias e cabiam em envelopes beijados. Vive com os pés na Lua. Sua alma não tem raízes. Sorve bebidas quentes por compulsão… se veste de nostalgia para ir a guerra. Perde-se entre amores de quatro patas. Cansou de delegar ambições alheias… jogou folhas e contratos ao vento… e voltou a respirar. É mãe da menina mais cheia de porquês do planeta… e se tornaram cúmplices nas risadas e, rivais do tempo.

 

 

Iam às cabinas telefônicas
transmitir aos seus… as facetas
da semana.

Proseavam aos pés do coreto,
trocavam afagos nos
bancos Cúmplices,

Deixavam trocados ao
pipoqueiro que, sorrindo…
retribuía a gentileza
aos Pombos.

Os andares calmos desviavam
do tamborilar das pinhas
que, maduras, enfeitavam os
trechos… o tempo!

Inda oiço nos dias atuais as sabiás e
cigarras… cantando aos enamorados
daquela praça.

 


 

Ecoam vozes sob folhagens
que sussurram as minhas
Essências…

Suspendem-me em um verde
— sépia… Calmaria!

Uma doçaria me recolhe
entre xícaras e
torta de maçã…

Degusto outono — junho
com aroma de Canela,
— serenidade
e Nostalgia.

 


 

…sinto o cheiro denso
de madrugadas insones,
Ondas curtas de descontentamentos
brotam— infames na pele…

Nuances de verdades
provocam um Salto às cegas
dentro da Realidade!

Tudo tão perfeitamente incerto,
Forjado! — fisgando desesperos
lá do fundo…
Sentimentos crus!

O Coração pré-moldado…
encharca-se de dúvidas e Dores…
— a Alma insegura busca por abrigo
no Mundo…

 


 

Encontro drogas prescritas
E me rendo aos d-efeitos!
Amarro os Punhos…

Preparo-me para o disparo!
Apalpo com força o antebraço
As veias saltam e se oferecem
a miséria Humana!

Sinto faltar o ar…

Transpasso os espaços
E na fresta do vidro do
Vigésimo sexto andar… a paz
me vem através das asas!


Você transpira Desespero
pelas têmporas…
Sente-se estupidamente só
…sem laços… telhas… traços
Vê o mundo disforme… frio
— impiedoso!

Usa pausas silábicas
…inquietas e ásperas, que
sangram sinuosas pela fresta
dos lábios!
Mãos rogam entre cabelos…
por alívio! Acima da lógica
— teto branco… e pesadelo.
Há excesso de ar a
te Sufocar!

Dê o passo à frente
…tente pular o despenhadeiro
E sinta a queda te puxando
para fora… de Si!

 


 

Saudade escorre
pelos vidros da janela…
Chora calada as
ausências e suas
penitências…
Flagelo de corpos
Sedentos
…acariciando fronhas frias
e xícaras quentes,
Bebida servida como prêmio
em inconsoláveis mãos…
que buscam nas distâncias

um fragmento de certeza
Margeada entre os ‘nãos’.


…o desafio de transparecer Emoções
Um universo inteiro em papel branco…
Vozes em linhas… soltas em harmonia.
Um segmento mecânico… a convulsionar
lágrimas em margens
…e rebarbas!
O ir e vir de afeto…
O ritual de ler em silêncio… sorvendo
uma xícara companheira.

…escrever Cartas é uma penitência,
Confessionário!
Qualquer coisa entre almas
…e papel
Unidos — transcorridos
em linhas
Cúmplices!

— selei tantos envelopes…
com os olhos marejados!
Abraço distante… e o coração solto!
Até hoje desfaço as dobraduras
com certo zelo! Abro-as devagar, com receio
em deixar cair o mundo que me foi enviado.

 


Uns… chamam de
Abismo!
Outros… sonhos —
Desbotados…
Mortiço lírico
Rabiscos…
E emaranhados
de angústias!

Eu chamo: poesia.

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