04 – Nem sempre a lápis | Aden Leonardo

Cinco poemas para degustar Aden Leonardo

 

…é pessoa engolidora de choros, por isso sofre de derrames por extensos quase todas as noites. Os assuntos que ela escreve referem-se ao enorme mundo à volta de seu umbigo. Adora escrever e fazer andanças, sobe morros e picos. Suspeita que a felicidade é algo tão difícil de alcançar que deve estar no mais alto ponto do Himalaia. Por isso escala em MG e RJ, vai que existem felicidadezinhas nas montanhas menores? Não suspeita que é escritora… é uma atrevida mesmo.

 

ASSINAR POEMAS

Autografei suas costas

Com a ponta da língua

com afago das mãos

refiz caminhos

Segurei teu rosto

no mesmo beijo

do último primeiro

dormiu três afagos

dois desejos

completamente saciados

Por algumas horas

pagas por mim, letra a letra

na fonte de erros de Eros.

 


NUANCE DA AUTORA

(ou efeito Lua de Papel)

Sonhei que eram duas

mulheres nuas

de nuance tênue

saindo do livro

feito de lua

em papel refeito

desenhado a meu modo

Acordei de hare raro místico efeito

vez que deleito

no corpo que já não deito

Em ambas desci para tão dentro

de crateras

Luas embriagadas

perdi trabalho

pedi cigarro

E nada

virei Bukowski

Vivi

Dois dias.

 


 

 

FALSA

Finge

Que não

Mas quando me vê

Morre

Sei que seu susto se lança

nos braços dela

Mas seus olhos se fecham

E nada tira nossa lembrança

Esquecemos de fechar a porta

Do quarto

Das idas

proibidas

das partidas

Morena, vadia, fumante passiva

de mim.

 


 

Cacarecos

Quando o barulho invade sua retina

— lente lenta

Suas duas vezes obturantes

…sabe palavras que não partem mais!

— despedidas,

Ela anda saturada de palhetas

Vinhetas

E das Mãos…

que sabem de cor —

Sua

Ação.

 


 

Ao som de Kepler 

O som do sol

é um fantasma que carrego

bem do seu lado

onde nunca está – nada

de onde você nunca veio

por onde e aqui nesse eterno desespero

que mais esperei

Mirante vazio dentro de mim

A luz que se cumpre, bruxuleia meu medo:

que amanhã num fim do meio

meu meio, meu fim, do dia,

Saber de novo

no meu grito segredo:

Você nunca veio.

Fantasmas de mim se põem a dormir.

Aos gritos em pleno silêncio.

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