Entrevista | Daniel Velloso

Nasci em 1985, de 8 meses… porque sou ansioso, desconexo e complexo. Aos 12 anos, escrevi uma poesia para minha professora de matemática, ela gostou e, desde então, me apelidaram de “poeta”.

 

Acredito muito que não exista química sem física e sou amante de música alta para espantar demônios. Entro em uma biblioteca frustrado por não conseguir mastigar a maioria do que quero… e isso interfere no meu vazio existencial, apesar de estar sempre rodeado de gente. Amo o mar e critico o fato de Ah’mar demais, por ser muito intenso num mundo frio. Moro no Rio de Janeiro e poderia viver em qualquer lugar onde fosse possível olhar pela janela do ônibus. Crio, recrio e copio. Acredito que o único remédio eficaz para a solidão de que tanto falo seja compreender que não “sou” e sim “estou”. Hoje eu estou sozinho, mas amanhã não quero saber. Sou crítico, sincero e nada político.

 


 

 

1 – Quando vem a vontade de escrever?

Não é uma vontade… É uma necessidade. É a necessidade de explodir e não enlouquecer. As vezes tudo que eu queria era uma caneta e um papel por onde eu passo, para passar minhas impressões para o papel. Mas não posso fazer isso numa mesa de bar porque seria taxado de inconveniente ou por questões desnecessárias de um processo que preciso usar uma coisa chamada cautela. Porém, confesso, que me incomoda e um dia me libertarei totalmente do senso dessa normalidade que não existe.

 

2 – O que te incomoda na literatura e no mundo literário?

Muito livro sendo lançado para status e não por necessidade de expor o trabalho. Eu levo a leitura muito à sério, principalmente minhas publicações. É como o nascimento de um filho. Hoje nos livros que vejo, existe pouca consistência intelectual e sensibilidade no ato de escrever. Fora que um livro está muito caro. Mas o problema não são das editoras e sim da sociedade que não tem dinheiro pra comprar pois vivemos numa crise política.

 

3 – Em que mundo você gostaria de pisar com a escrita?

Os loucos. Loucos uns pelos outros. Quero que os loucos, malucos, pirados se identifiquem. Quero enlouquecer todo mundo. Mas isso é uma metáfora e por isso uso licenças poéticas. O leitor precisa pisar no meu Mundo, sentir e descobrir a sua loucura. E que sejamos loucos de amor.

 

4 – Tua escrita é mais sonho ou realidade?

Minha escrita é real. Não tem nada sonhado. Mas eu sonho muito… Acordado. Eu quero que as pessoas possam tornar seus sonhos uma realidade. Pode ser? Eu quero incentivar as pessoas.

 

5 – Qual o gosto que você associa ao ato da escrita?

Minha escrita tem gosto de pegá-la num domingo tedioso, sentar na cama e degustar. E claro, pensar. Eu preciso fazer as pessoas pensarem junto comigo. Senão, eu não estarei fazendo um bom trabalho. Sou muito critico, acima de tudo comigo mesmo.

 

6 – O que mais te perturba em sua própria escrita?

O cansaço. Eu canso as pessoas. Não uso parágrafos. Tem que ter muito fôlego pra me ler.

 

7 – Nos fale de seu livro…

Meu livro fala de uma realidade que eu passei, mas eu metaforizei e fiz uma analogia com os temas atuais. Quero ser atemporal e isso me preocupa porque as coisas não mudam. Isso é preocupante. Fora que eu fujo de esteriótipos. Acho que o “Tarja preta” diz muito do mundo doente em que vivemos com relação a mente e corpo. Eu faço parte disso. Acho que todos nós temos um pouco de preto, escuridão. Basta saber canalizar para viver uma vida razoável. Porque a plenitude não existe.

 


* créditos da imagem: Pâmela Duarte.

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