Coluna Plural | Corações e mentes

Por Marcelo Moro

 

 

 

Escrevo quase sempre a noite, ou durante o dia quando chove; e quase nunca no mesmo lugar, sou inquieto, como a poesia é inquietante.

Nunca gostei de máquina de escrever. Naquele tempo, sombrio, eu escrevia à mão e dava para minha irmã treinar na máquina meu texto, ou para minha mãe, que gostava de datilografar.

Quando me deitava, sempre às faces com a insônia, porque ela sempre esteve comigo, eu refletia de onde vinha a poesia e as histórias narradas pelos poetas; não era possível que tivessem aqueles homens e mulheres vivido tudo aquilo, com aquela intensidade. Depois, mais velho, pude saber que mais da metade era possível. Tudo ainda acho exagero.

O fato é que a poesia me chegava do cotidiano, e até hoje é assim; assisto às cenas, até comuns das pessoas no seu dia a dia, e meto-lhes exageros e rimas, ou falsas rimas que eu gosto mais, e as transformo em linhas genéricas e, geralmente sem nomes, ou com pseudônimos famosos de outras histórias que acumulei ao longo das noites insones.

Se me perguntassem um dia na mesa do bar, ou coisa que o valesse, “quem é fulana?”, eu diria sempre: todas e nenhuma.

Porque é isso que é uma mistura capaz de seduzir as mentes ou amargar os corações.

É verdade que nem sempre se consegue manter a mesma intensidade, capaz de bulir com as pessoas ou fazê-las ferver. Quem afirma isso de si mesmo, sendo poeta, mente. E quem afirma isso de qualquer poeta, sendo leitor, mente também, mas é preciso redenção, e sempre a encontro em mentiras sinceras que me interessam.

Mas essa tarefa árdua, de descobrir de onde chegam os poemas — se chegam prontos ou apenas em tópicos — talvez nunca seja concluída e, enquanto isso, continuo olhando as cenas do cotidiano e poetizando perpetuamente suas memórias.

A poesia na minha mente entra como melodia, a qual posso por uma letra para fazer sangrar os corações.

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