Por Marcelo Moro


 

Ana C.,

Eu queria entender… toda essa ira… essa ferida exposta e essa dor contida nas duras linhas que nos dedica. Belas linhas, sem afagos nem esperanças mas, lindas.
Sinceramente gostaria de ver por dentro como funciona esse íntimo… mas sei que é querer demais.
Aos poucos, e te digo porque quero que saibas, as coisas para mim vão perdendo o sabor e o sentido, a escrita, as imagens, as minhas admirações e logo serão as paixões que me desmentirão deixando me nu diante do infinito.
Sei que entendes querida Ana. Sei que no fundo dessa sua alma de alamedas sombrias entendes.
Sabes por fim o que sinto, o que me sufoca e faz disparar meu coração empurrando-me a atropelar teclas como quem soluça palavras.
Eu só queria entender… nada me seria mais caro que isso.
Sei que não se deve mudar nada em função dos outros e de outras coisas que não as nossas convicções, isso chama-se liberdade, mas mesmo livre, e o sou, mudaria para poder entender… agradar talvez, fazer contente e se um dia, se assim o universo permitisse, trazer um sorriso, um lapso de felicidade dessas em que se joga no sofá e respira profundamente.
Podes receber essa missiva com desdém, pode também guardar numa gaveta escura, numa dessas caixas que guardas laços de vida e de morte sem que leia, e podes simplesmente rasgar, deixando assim incomunicável nossas angustias. Escrevo sem saber que destino terão minhas linhas, por querer escrever, por desejar sobretudo entender.
Toda sua força disposta em finalizações prematuras de convívios e laços… retratas em suas linhas. E quando leio, vejo que não há culpa, maldade ou má fé, apenas rasgos pelos quais eu queria entrar e entender, apenas estar e entender o porque se enche de cadeados, não só em ti como em tuas portas e janelas.
Amo-te embora não entendas, ou não acredites que seja isso possível, mas amo-te e te quero, acima desse amor, bem, sem egoísmos vãos ou sentimentos sombrios.
Espero, doce e forte Ana, que leia essa minha tentativa de entender suas premissas e sinceramente desejo, pelas lágrimas geladas que desceram–me, que aceites tomar um café num ocaso desses para uma conversa sincera, o tempo nos deve esse fortuito encontro, e perdoe-me se em algum momento ofendi… eu só queria entender.

 

Com afeto,

 

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