PALAVRA DO EDITOR | Verbo: proibido

Por Lunna Guedes


 

adriana elisa bozzetto
Autora do livro verbo: proibido

 


 

Cair na primeira pessoa é pior que a queda voluntária de um pássaro, que despenca do azul.Sem saber piso… apenas mergulha inconsciente do pouso e conta com o sopro do vento a favor de suas asas para um plainar seguro no infinito.

A queda de um corpo, no entanto, é vertigem Líquida… resultado da desorientação que o acomete. Uma questão de piso… os pés não tocam o chão, não deixam rastro-marca-lastro. Evapora no passo seguinte: o lugar, o chão, a realidade. É a consequência da degeneração dos sentidos, que acontece primeiro-antes e nos faz pássaro incapaz do vôo.

Diante de cada verso escrito nesse conjunto de folhas amarradas por fitas azuis… acontece uma espécie de milagre dentro de uma esfera azul de tinta — uma queixa no imperativo de vos falar um: verbo proibido.

Adriana Bozzetto confessa ‘o meu corpo cai no vácuo’ das emoções-sensações… cai e não morre, mas não se desfaz de todos os ontens. E, ao renascer, rasga futuros, amassa o tempo presente e esmigalha o que é reflexo. Suas linhas são um olhar cúmplice, coisas mudas em estado de vento, o que fica das vozes que acumulamos dos dias que nem sempre vivemos-levamos-somos.

De quantos personagens somos feitos?

 


Verbo: proibido
Adriana Elisa Bozzetto

 

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2 comentários em “PALAVRA DO EDITOR | Verbo: proibido

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