I

Suores noturnos
E cantigas de ninar
Nenhum sonho possível
Para quem não dorme
O homem no espelho
Oferece uma moeda
Não existe o que contar
Nenhum sonho plausível
Digno de mentira
Lá fora, do lado de lá
Da madeira velha da janela
Cimento e saturno
Dá me um olho de vidro
Para enxergar luas e anéis
Quem sabe conto meu último pulsar
Dentro do soturno
Numa caixa forrada de veludo
Vinho piegas
Guardei meus escritos
Como sonhos sólidos
A flutuar num oceano de vidro.


 

II

Não vejo fantasmas a indagar
Apenas sua dança serena
Arrancando sorrisos e reações
No final do corredor
Um cigarro aceso e um gole morno no café
Para praguejar
E dançar contigo
Um rabisco de Deus no seu rascunho
Teatro de fantoches
A pensar sobre porquês
Antes que a bomba caia

 


 

III

Já moço
Encontro-me as duras penas
Com plenos futuros
E perdas
Flores raras que murcham
Cores caras que desbotam
Destoam dos gritos agudos
E choros sem mágoas
Fantasmas de adultos
Pormenorizando o menino
Jogastes com suas mãos
Para meu chute, bola de meia
Centelha fina do religare
Que fatia dividindo
Falta e saudade…

 

_____________________________

Marcelo Moro autor de ‘Teatro das Ousadias’  — série exemplos de poesias da Scenarium — ano 2015 e ‘Alameda das Sombras  — ano 2016.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s