Resenha | Café Aneli

Por Emerson Braga


DSC_0363

Você já bebeu café Aneli? Não? Bem, vamos à receita: Pegue uma jovem linda, formada em Direito pela USP; adicione uma pós-graduação em Direito da Família e Mediação de Conflitos Familiares; acrescente à mistura um punhado de dramaturgia, uma boa dose de literatura e derrame sobre tudo muita graça, inteligência e irreverência. Depois, leia até encorpar. Pronto! Está servido o café Aneli, uma delícia em forma de microcontos, capaz de satisfazer até os mais exigentes apetites literários.

É verdade. Adriana Aneli e seu livro, Amor Expresso, parecem uma receita maluca que combina coisas bem diferentes, mas que deu muito certo.

Amor Expresso nos fala de uma humanidade transformadora, da alquimia que converte alimento em gestos de luz. E, nem por isso, deixa de trazer o sabor amargo dos arrependimentos, o gosto acre daquilo que poderia ter sido e não foi. É impossível não se deixar levar pela maneira suave com a qual Adriana nos cativa com histórias curtas, enquanto suas palavras nos aquecem por dentro. Em seu livro, nos deparamos com construções lindamente apuradas, como nesse trecho do texto Homo fugit velut umbra: “Quando a luz natural invadiu o quarto, não encontrou a si mesma no espelho”.

Antes do café, desabrocha — com sutileza — o que se passa durante o tempo de espera. Aquele momento em que tudo parece um hiato, quando ninguém está olhando: é aí que as coisas acontecem. No texto Amizades Particulares percebemos a narradora ousada, que desconstrói nossa primeira impressão e revela outra imagem por debaixo do verniz que se impregna sobre a superfície das coisas.

O café se encontra em todos os textos não apenas como coadjuvante das histórias — batizadas com nomes de filmes, pinturas, músicas, contos, romances, novelas e poemas que a escritora saboreou no decorrer de sua vida —, mas como criatura oracular que observa o desenlace de muitos destinos. Amor Expresso é um convite à simplicidade. Nos leva a descobrir substitutos singelos quando a vida que vivemos nos é roubada, como lemos em O pescador de ilusões.

O livro apresenta pequenos gestos de rebeldia, daqueles que dão liberdade em drágeas (Gato preto, gato branco). Também fomenta o leitor de quentura e sabor capazes de salvar uma existência, mesmo quando tudo parece insípido (Um dia perfeito para o peixe-banana).

Lá, nos chocamos com aquelas esperanças que se perdem quando o objeto de nossa paixão rejeita toda a graça e sabor que temos a oferecer. Podemos revisitar a quebra do encanto que experimentamos ao descobrir que as pessoas mudam, que deixam de atender nossas infantis expectativas. É um livro capaz de nos apresentar a mais sórdida das vinganças através de posturas que, a um olhar desatento, pareceriam inócuas, como percebemos em O ovo da serpente.

Recomendo atenção na leitura de A vida em preto e branco, que é um belo retrato poético dos encontros que realmente valem a pena.

Adriana Aneli nos brinda com refinado humor ao transformar situações cotidianas em eventos dotados de deliciosa pirotecnia, como revelado nos contos Mesmo se nada der certo, O diabo veste Prada e O jogo de emoções.

Amor Expresso é um livro que nos amorna por dentro. Verdadeira experiência astronômica que delicia com o néctar extraído do grão da palavra. Enfim, trata-se de uma linda declaração de amor.

E você? O que está esperando para provar dessa leitura quentinha, saborosa e que não esfria, até a última pagina?

 


 

— amor expresso, clique aqui para adquirir o exemplar —

Anúncios

Um comentário em “Resenha | Café Aneli

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s