sapatos vermelhos

sapatos vermelhos é um livro de crônicas… uma narrativa simples sobre si, o mundo, a realidade e todas as coisas que acontecem com a pessoa Thais Barbeiro que se oferece na pele de uma personagem a bordo de uma trama inacabada porque viver é isso… é ir de encontro ao dia seguinte, sem deixar de…

Dois poemas de Marcelo Moro

. Cartas de Ártemis Aqui de cima — do meu jardim de pedra …suspenso Olho o paraíso estourar na perfeição — ondas vem e vão Jogando um azul escuro sobre seus desenhos Menino absoluto Maia e Gaia a brincar com as possibilidades — pobre de mim em órbita — Presa ao meu vestido prata De fase em…

O meu lado artesanal,

Por Maria Vitoria . . Costuro não só as dobras que servem de encaixe para as páginas que se viram. Costuro durante todo o processo, antes, durante, talvez depois, um pouco do que sou também. Enfinco agulhas no meu corpo e vou tecendo as palavras-fotos, até nascer uma arte digna de não ser escarrada pela…

Dedicatória…

Por Lunna Guedes . “À memória de ‘Erneste Becker’(…)” . Ao preparar um livro para a impressão, depois de realizado todo o processo de edição-revisão, e uma vez aprovado por todos os envolvidos no projeto-livro… é necessário — ao paginar — reservar espaços para o Autor, que geralmente… quer dedicar o seu feito à alguém. Não são todos…

Um poema de Virginia Finzetto

. . POEMA DO EXÍLIO dói infinitamente ouvir de meu ego que ele se sente machucado e por isso quer melhorar o mundo fazendo tudo do seu jeito em seu sono profundo não imagina que já esteve aqui a bater prego na tábua de outro crucificado não nego, mas não o rejeito sei que sequer…

Artesão

Por Obdulio Nuñes Ortega . . Corria o início dos Anos 80. Eu era aluno no curso de História e alimentava o desejo de me tornar escritor. O curso mais interessante para isso talvez fosse o de Português, porém o de História me atraía bastante. O avanço da Tecnologia, antecipava visões de uma futura sociedade…

Regras de um bom Editor…

Hoje, no blogue da Scenarium, Lunna Guedes fala da leitura do livro de memórias de Bennett Cerf, fundador da Randon House e um dos principais editores do universo literário. Boa leitura…

Por quê?

Por James Wood . . A idéia de que qualquer coisa pode ser pensada e dita dentro do romance — um jardim onde o grande Por quê? se vangloria à vista de todos por não ter sido colhido — tinha, para mim, uma conexão ironicamente simétrica com os temores reais do cristianismo oficial fora do…

Um ensaio de Nic Cardeal…

Por Nic Cardeal . . ~ A Palavra ~ . A gente tinha um nome para essa coisa que apertava o peito e fazia doer os olhos até a lágrima cair. Dizia-se na aldeia que era uma palavra esquisita, mas que pronunciá-la de um certo modo até aliviava um bocadinho a dor. Então a gente…

Ensaiando versos livres

Por Obdulio Nuñes Ortega . .   Bem novinho, leitor de primeiras palavras, tive contato com poemas populares— quadras que a minha mãe escrevia em seu caderno rosa de capa dura — de autores diversos, ouvidos aqui e ali. Eram versos simples, de fácil memorização, rimados, ritmados, melódicos, que passei a apreciar. Na escola, ao conhecer os…

o meu scenarium editorial

Por Lunna Guedes “Ter sorte é imprescindível — a esterilidade de uma época é pura fatalidade e, num período pouco criativo, o editor está condenado à impotência”… Kurt Wolff — editor . . Assisti mais uma vez ao filme Genius — o mestre dos gênios — em que Colin Firth interpreta Max Perkins — editor da Scribner que, além de…

Contra a interpretação

Por Susan Sontag . . . E N S A I O S . . 4. O nosso é um tempo em que o projeto da interpretação é em grande parte reacionário, asfixiante. Como os gases pelos automóveis e pela indústria pesada que empestam a atmosfera das cidades, a efusão das interpretações da Arte hoje…

Três poemas inéditos de Marcelo Moro

Quisera ser dela Antes e depois do nascer do sol De passar a vida Anoitecer a morte Maré sempre alta naqueles quadris Virando ao avesso Olhos, mundo, luas Quando me vem sutil Me derreto ao ponto Provo o sabor do sorriso Na luz quebrada pela persiana Me oferece beijo da boca vertical Saliva , água…

Sobre o verso livre…

Por Beatriz Aquino . . Tudo o que digo é vaidade. É impossível viver sem dizer eu. Sim, Adélia. Há verbos que conjugo facilmente. Outros que me entram pelas narinas como água apressada. Teu amor é vida parada que tossi pra fora dos pulmões. Canto. A cólera dos anjos é doce, mas pesa. Sim. O…

A crise dos gigantes

Por Lunna Guedes . . Pedimos um café e aguardamos… eu tinha em mãos um livro de poesia, que recebi do autor, que me enviou o exemplar autografado pelos correios. Poesia de Franck Santos. Z., tinha em mãos o seu Andy Warhol de estimação e parecia (ainda) insatisfeito com a profecia do artista plástico que…

O que é o contemporâneo?

Por Giorgio Agamben . . A pergunta que eu gostaria de inscrever no início deste seminário é: “De quem e de que somos contemporâneos? E, sobretudo, o que significa ser contemporâneos?”. (…) De Nietzsche, vem-nos uma indicação inicial, provisória, para orientar nossa busca por uma resposta. (…) Em 1874, Friedrich Nietzsche, um jovem filólogo que…

Quatro poemas de Maria Florêncio

. Quando esmurrar o próprio reflexo, …se torna uma frustração resignada (?) — destorcida… sob olhos de quem nunca lhe vê. Doerá´s por dentro de forma crônica. …e derramará´s seus fragmentos! Trilhara´s rastros já percorridos. Não importa quem és… Desde que ‘esteja’ nesse dorso frio e amembrado… a destilar alguma empatia casual. Desbastando-lhe os ossos…

Eis o verso livre!

Por Marcelo Moro . . Projeção nossa de liberdade em expressão, como um abre-alas deslocado do tema mas com toda força para fazer acontecer a junção harmônica das linhas. TS Eliot em toda sua majestade fala em limitação artificial como subterfugio mágico para o seu sublime “des-rimar”, uma libertação contida de convencionismos. Por outro lado,…

Carta a Herberto Helder

Por Emerson Braga . . Inferno dos Suicidas, 24 de março de 2018 . Querido Bebeto, . Definitivamente, a velhice não é boa para quem não tem juízo. Por que insistes nesta questão com o Mãe? Concordo quando clamas em tuas cartas que o mundo precisa de mais poetas, meu amigo. As pessoas agora cultuam…

À Herberto!

Por Mariana Gouveia . . “Só alguma coisa parada no cimo de uma visão tremente. A primavera, que eu saiba, tem o sal como cor imóvel, Por um lado entra a noite, assim de súbito negra”. Herberto Helder . Meu caro Herberto! . Abro a janela e seu poema rodeia o quintal. A noite chega…