Lançamento | Amarcord

Por Adriana Aneli…

 

 

 

Inverno. Terça-feira, início da noite na cidade. Um carro branco avança devagar na avenida estreita. De casacos pretos a multidão apressa o passo, afundada nas próprias golas. Por alguns segundos a densa fumaça encobre o congestionamento. Buzinas, risadas de mulheres, a batida de copos nos bares. Pés saltam apressados do táxi. Param à entrada do cine café. A luz morna no corredor de paredes escuras se acende, iluminando cartazes de filmes e mesas para dois. Federico, com flores vermelhas em uma das mãos, acena para sua orquestra: a música começa.

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Coletivo |Apresentação…

Por Lunna Guedes…

 


 

Há pouco mais de uma semana, voltei às minhas caminhadas diárias… hábito que havia abandonado desde que o cão nos deixou. Ele era o meu parceiro de calçadas-esquinas-ruas-pracetas… com seus passos lentos e constantes pausas: em postes, árvores e portões. Era um curioso nato, que gostava imenso de se aventurar em certos cenários… e eu me deixava conduzir por seu faro aguçado. Nunca estava errado em suas escolhas. Eu era um barco, e ele a bússola a apontar para essa espécie de Norte.

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Plural | Inéditos & Dispersos

Por Adriana Aneli

 


 

Olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue nas gengivas

Ana C.

 


 

 

Estamos em silêncio. Chegou o momento de calar. De se alienar. De romper. É hora de se deixar reinventar pelo olhar do outro. Encontrar, na matéria mágica que nos torna escritores, o antídoto ao dia que não nasce. Ao voo escuro. Ao revidar da noite…

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Coluna Plural | Alguma coisa acontece…

Por Caetano Lagrasta

 

Era uma vez, um baiano, cercado de novos caetanos. Todos eles sonhavam de pés descalços antes de serem despachados para Londres, serrana bela e eles não serviam ao Grão da Bretanha, mas a ela.
Vestiram pele de carneiro para ser capa de long-play e cantaram, até a Asa Branca, que bateu asas do sertão.
Despedidos de sampa passaram frio medonho tomando chá com torradas na Down Street.

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Coluna Plural | Anonymous Society

Por Adriana Aneli

 


 

Estamos em 1922… Há este inconformismo com as verdades estabelecidas. A necessidade de reafirmação da nossa identidade. O resgate da cultura brasileira em meio ao modelo europeu de comportamento. Aqui a arma é a ruptura. Artistas antropofágicos, em tom de farra e festa,  ruminam antigas ideias e regurgitam  em estética fanfarrona, cores berrantes e versos livres sua “revolução sem sangue”, o ideal da renovação e da transformação através da arte.

Estamos em 2017… Há este inconformismo com as verdades estabelecidas.  A necessidade de reafirmação da nossa identidade, o resgate da cultura brasileira em meio ao modelo globalizado de comportamento.  Aqui a arma é…

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La Bottega di Lunna

Por Adriana Aneli


“As águas dos mapas são mais silenciosas que a terra,
deixam a ela a conformação de suas ondas”

Elizabeth Bishop

 


 

Aprendi, tomando um gelato no Le Bottegheplural de bottega —, do italiano: “oficina artesanal e artística, onde o mestre trabalha ao lado de seus discípulos”. E aprendi, discípula, ao lado de mestres… que a vida deve ser levada assim: de modo artesanal.

Mas, para se fazer algo artesanal, é preciso dispor do bem mais raro do milênio: tempo.

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Palavra de Editor | M I A

Por Lunna Guedes
Editora Scenarium

 


Passava das seis de um dia de semana qualquer. Eu não somo dias, sou feita de momentos e regida por Kairos. Me sentei no meu lugar de sempre… no café entre esquinas, com um latte extra hot ao lado, lapiseira Pentel 0,5 em mãos. Nos ouvidos ‘hold back the river’ de James Bay e um calhamaço de folhas A4 para os olhos… começava a tomar contato com ‘MIA’… leitura de tato — como gosto e prefiro. Sem pressa, apenas um pesado gole…

Mergulhei na trama tecida por Anselmo Vasconcellos, na condição de leitora — muito embora minha matéria humana hoje seja uma bela confusão de escritora-editora-mulher-leitora.

A leitura levou o tempo de um latte — venti — e, ao terminar, fiquei imóvel… a pontuar minhas emoções, que se misturavam às do personagem-narrador do romance de Anselmo — que, em sua linguagem de autor, apresenta muito de si.

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Palavra do Editor | on the road…

Por Lunna Guedes
Editora Scenarium

 


“mas eu não me importava e seguíamos juntos numa boa
— sem frescuras, sem aporrinhações, andávamos saltitantes
um em volta do outro, como novos amigos apaixonados.”

on the road

 


Quando Marcelo começou a me enviar o material para o seu novo livro, estava a ler pela milionésima vez ‘on the road’… e não podia imaginar o quão significativo seria esse ‘pequeno detalhe’ — uma ‘espécie de trilha sonora’ na arquitetura de ‘alameda das sombras’… que veio para minhas mãos com outro rótulo — descartado após meia hora de conversa com o Poeta.

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Editorial | O Mercado editorial não pensa leitores, pensa prateleiras cheias…

Por Lunna Guedes


 

Em conversa agitada na tarde de hoje — com uma pessoa que aparenta ter raízes bem fincadas no tal capitalismo, em que o principal objetivo é o capital —, argumentei, sem sucesso algum, sobre minhas estratégias para o meu projeto de vida, denominado “Scenarium”… nome este que tem o seu propósito: ser diferente… nesse cenário cada vez mais orientado por quantidade…

Não é novidade alguma que há cada vez mais pessoas interessadas em publicar livros. Nem mesmo há editoras suficientes para tantas publicações. Mas, inventa-se uma aqui e outra ali… pronto: satisfeitos? Não…

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Editorial | Livro Artesanal

Por Lunna Guedes

 


 

Escolhi o modelo artesanal quando pensei em publicar um livro… por achar charmoso, elegante, mas principalmente por me permitir ousar, sem precisar ficar presa ao modelo tradicional-convencional.

Sempre fui apaixonada pelo universo underground… no tempo do colégio me divertia forjando zines, inventando revistas alternativas… vivia em constante fuga do universo comum-igual… onde o livro é um mero objeto para prateleiras, produzido para agradar o mercado e não o leitor, que se acostumou a comprar os famosos e enlatados best-sellers.

 

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