Coluna Plural | A palavra que me seduziu

Por Obdulio Nuñes Ortega

 


Eu sempre gostei de desenhar… aos quatro ou cinco anos, reproduzia traços indecisos copiados de gibis e ilustrações de revistas… aos seis, na pré-escola, ao ser apresentado ao manuseio das primeiras letras, acompanhadas de seus corpos sonoros, fiquei fascinado pelas possibilidades que se apresentaram encantadoramente em desenhar cenas através da condução das palavras. Não foi algo tão radical como talvez possa deixar transparecer. Aconteceu mais como se fosse a chegada de um vento suave a me envolver, a carregar ar novo no ambiente fechado do porão onde a minha família morava na Penha, à época…

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Coluna Plural | Meu livro de cabeceira

Por Adriana Aneli

 


Livros são muitos… e exatamente por isso eles têm que se diferenciar, conter algo que os saque do orfanato — da livraria e de suas prateleiras medonhas. Livro tem que ter algo de minoria, de quase esquecimento e espera para ser descoberto… Um quê de poeira e relíquia torna um livro especial. Basta olhar para ele, que lhe devolve seu olhar de gato de botas: a beleza irresistível da exclusividade.

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Coluna Plural | A leveza é essencial…

Por Tatiana Kielberman

Existem dias em que o aconchego e o conforto de ser quem sou surgem como uma composição de Bach: com suavidade, num crescente inconfundível, fazendo com que as notas se harmonizem em naturalidade plena…

Há outros momentos, porém, em que quase não me reconheço nas notas da canção. A melodia ganha impasses que repelem a delicadeza da alma, afastando amenidades, e eu tento oferecer uma pitada de poesia aos meus dias, até mesmo quando eles se mostram um pouco nublados…

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Coluna Plural | Onde está Wally?

Por Adriana Aneli

 

Não sei você, mas eu estou exausta.
Todo o excesso me abarrota: informações-gestos-certezas-intenções-imposições me jogam nesta ressaca.
Entre anúncios de carros que não cabem na garagem, eletrodomésticos que não cabem na rotina, imóveis que não cabem na cidade, estilos que não cabem na existência e dívidas que não cabem no orçamento, sobrevivo assombrada.
Tento uma fuga clichê e entro na livraria do shopping. Ali, a derradeira avalanche: capas e títulos, cores e letras, best sellers e poket books. Prateleiras – com seus últimos requentamentos e saldões – me intimidam. Assisto a capacidade de criação e de autoria de pensamento ser devoradas pelo consumo.
[A vendedora dá as costas para mim; ela sabe que seus livros não cabem na minha alma].

 

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