Coluna Plural | A VIDA É BELA

Por Adriana Aneli

 


 

Não mente sempre a arte? E não é quando mente
mais que ela se revela mais criativa?

Konstantinos Kaváfis,
Reflexões sobre poesia e ética.


 

 

Não sei dizer dos animais, senão do homem que os copia. A mentira é a linguagem do mimetismo, a evolução possível: o processo pelo qual nos adaptamos a cada nova situação, conforto na guerra.

Ludibriar, manipular. Há vários propósitos em mentir: enganar, iludir… Os mais óbvios; o mais nobre? Reelaborar certezas e, assim, criar realidades falsas e, por isso, menos dolorosas. Este o papel da arte.

Mentirosos são mestres da ficção e, neste passo, subvertem a consciência do provável, pela mágica delicada do imprevisível. Nada difícil, portanto, entender por que poetas são fingidores: escrever é mentir e mentir — poupar leitores da passagem do tempo.

Quem fala a verdade, vai repeti-la no dia seguinte ou daqui a um ano; mentir é criar truques de ilusionismo, trazer o passado para agora, no instante mesmo em que começa o futuro.

Acreditar naquilo que se queria por verdade, é o primeiro passo para transformar ideias. Preparar na fantasia seu exército de camaleões, prontos a desarticular o modelo esgotado de realidade e gerar novas sínteses emocionais que produzam oxigênio —  num mundo em que há tempos não consegue respirar.

Talvez, só talvez, a mentira seja a lanterna dos afogados, onde nos agarramos temporariamente. Seguros entre poemas e contos, personagens imaginários; sonhamos asas – enquanto sabemos que pernas curtas estão prestes a congelar na verdade escura.

 

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COLUNA PLURAL O glamour de ser leitor

Por Ester  Fridman
Escritora, filósofa e astróloga


ANTES DE PENSAR, ler e escrever, imaginamos. A criança é dotada de imaginação, e esta vai dando lugar aos conceitos na medida que se aprende a falar e articular ideias. A imagem é anterior ao pensamento. Os adultos vão apresentando uma série de coisas às crianças, como gente, brinquedos, móveis, animais e objetos em geral, dizendo-lhes como os devemos chamar.

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COLUNA PLURAL | A leitora que eu gostaria de ser…

Por Tatiana Kielberman

 


 

Penso na leitora que eu gostaria de ser e meu coração se aquece ao vislumbrar as possibilidades de tal feito! Sonho — acordada — em tocar o livro que repousa sobre a mesa do café ao lado, nas primeiras horas da tarde… e que chega aos meus olhos, sem que eu possa tomá-lo em mãos e desfrutar do gesto — delicioso — de virar página por página. O tempo é faminto e avança… matreiro!
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COLUNA PLURAL | O que acontece com as nossas livrarias?

Por Renato Essenfelder

 

QUANDO MORRE A POESIA? Estou inquieto. Visitas à livraria ultimamente me deixam inquieto — noutros tempos, tinham efeito relaxante.

Em parte é a idiotização do acervo que aborrece. E uso a palavra “idiota”, aqui, lembrando de seu sentido original, grego. Idios: privado, separado, apartado. O adjetivo designava, na antiga Grécia, o cidadão que não participava da vida pública, o ensimesmado, desinteressado do mundo.

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Coluna Plural | Quando eu morrer

Por Aden Leonardo


 

Não me enterrem com almofadinhas*. Não me façam museu. Não criem o dia da livraria de rua, de chão, de antigamente, só de livros. Não me “momenclature”. Agora que sou híbrida, enxertada com cadernos, bolsas, discos, dou crias de autoajuda. Dou mais que isso! Dou lucro de propriedade internacional, sou até muitas vezes passaporte (se guardar o cupom fiscal) para o banheiro do shopping lotado. Visitar-me vale mais ou menos cinquenta centavos.

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COLUNA PLURAL | Vida percorrida em livrarias…

Por Roseli Pedroso… 


MINHA RELAÇÃO COM LIVROS se deu ainda pequena, quando meu pai — na época trabalhando numa empresa de mudanças, ganhou de um cliente, uma coleção de livros em miniatura. Fiquei encantada com aqueles livrinhos minúsculos escritos em francês, inglês e alemão. Tão bem feitos em capa de couro e detalhes dourados que, para mim, eram mágicos. E eram!

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COLUNA PLURAL | Admirável (?) mundo novo…

Por Lunna Guedes

Estava a percorrer os corredores e prateleiras da Livraria Cultura no Conjunto Nacional e acabei por reparar, com alguma estranheza na quantidade de títulos disponíveis nas ‘ilhas’ organizadas de maneira a ‘gritar’ suas capas  cada vez mais coloridas. E diante daquele cenário estranho, uma frase francesa me veio imediatamente à cabeça: “ils ne lisent plus, ils écrivent“…

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