TOP FIVE | amor expresso

ATLETA. Dos 12 aos 17 anos colecionou vitórias. Com a maioridade, passou a administrar perdas: o cachorro da família, o câncer do pai, o acidente do irmão, o coração da mãe, a boa forma física, e com ela, a namorada.
Sem emprego, sem dinheiro, sem vontade, desistir pareceu uma escolha natural. Bom jogador, criou as próprias regras: sem dor — descartou a gilete, a queda, a corda; sem margem para erro —, descartou revólver, veneno e remédios. Optou pelo gás de
cozinha. Decidido, foi.
Mas, ao lado do fogão estava a lata de café solúvel. Amornou o leite. Sentou no sofá. Assistiu à noite que se despedia e ao dia que começava. Espreguiçou pernas e braços… sorriu: há sempre um pouco de paz em cada xícara de café com leite.

 

Conto ‘um dia perfeito para o peixe-banana‘ — escolha de Aden Leonardo

 

 

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Coluna Plural | Quando eu morrer

Por Aden Leonardo


 

Não me enterrem com almofadinhas*. Não me façam museu. Não criem o dia da livraria de rua, de chão, de antigamente, só de livros. Não me “momenclature”. Agora que sou híbrida, enxertada com cadernos, bolsas, discos, dou crias de autoajuda. Dou mais que isso! Dou lucro de propriedade internacional, sou até muitas vezes passaporte (se guardar o cupom fiscal) para o banheiro do shopping lotado. Visitar-me vale mais ou menos cinquenta centavos.

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04 – Nem sempre a lápis | Aden Leonardo

Cinco poemas para degustar Aden Leonardo

 

…é pessoa engolidora de choros, por isso sofre de derrames por extensos quase todas as noites. Os assuntos que ela escreve referem-se ao enorme mundo à volta de seu umbigo. Adora escrever e fazer andanças, sobe morros e picos. Suspeita que a felicidade é algo tão difícil de alcançar que deve estar no mais alto ponto do Himalaia. Por isso escala em MG e RJ, vai que existem felicidadezinhas nas montanhas menores? Não suspeita que é escritora… é uma atrevida mesmo.

 

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Coletivo |Apresentação…

Por Lunna Guedes…

 


 

Há pouco mais de uma semana, voltei às minhas caminhadas diárias… hábito que havia abandonado desde que o cão nos deixou. Ele era o meu parceiro de calçadas-esquinas-ruas-pracetas… com seus passos lentos e constantes pausas: em postes, árvores e portões. Era um curioso nato, que gostava imenso de se aventurar em certos cenários… e eu me deixava conduzir por seu faro aguçado. Nunca estava errado em suas escolhas. Eu era um barco, e ele a bússola a apontar para essa espécie de Norte.

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Resenha | DENTRO DE UM BUKOWSKI

Por Marecelo Moro


Foi apreciando uma poesia que falava de uma pedra que conheci Aden Leonardo — numa dessas madrugadas insones tão comuns para mim —, e depois descobri , tão comuns para ela também.

A pedra poderia ser na Lua ou em Marte, como gostam meus exageros, mas era uma pedra em Itaúna e, de tão curta descrição, me levou a imaginar um Everest dentro de uma caixa de fósforos… e me deu vontade de ouvir Wagner.

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Aden Leonardo

Autora de ‘dentro de um bukowski’ 
e  ‘diário das coisas que não aconteceram’


Pessoa engolidora de choros, por isso sofre de derrames por extensos quase todas as noites. Os assuntos que ela escreve referem-se ao enorme mundo à volta de seu umbigo. Adora escrever e fazer andanças, sobe morros e picos. Suspeita que a felicidade é algo tão difícil de alcançar que deve estar no mais alto ponto do Himalaia. Por isso escala em MG e RJ, vai que existem felicidadezinhas nas montanhas menores? Não suspeita que é escritora, é uma atrevida mesmo.

Palavra do Editor | As coisas nem sempre acontecem…

Por Lunna Guedes
Editora Scenarium

 


 

 

Quando o arquivo do novo livro de Aden Leonardo chegou às minhas mãos… eu aguardei alguns minutos pela impressão das cinquenta e poucas páginas em Word para ler no papel… porque sou antiga — e a tela não  me oferece o conforto que preciso para apreciar as palavras de meus autores. É como beber vinho em um copo de plástico: parte do sabor se esvai.

Eu preciso da transparência do vidro, da cor do líquido, do aroma da uva, de todas as combinações que certas reservas trazem… e do toque.

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