Resenha | Sete luas

Por Emerson Braga


QUANTAS LUAS VOCÊS JÁ LERAM NOS ÚLTIMOS DIAS? EU LI SETE!

 

emerson

 

Não há um dia sequer em minha vida em que eu não olhe dezenas de vezes para o céu, principalmente quando as estrelas começam a cintilar no firmamento, pois, como o Rodrigo S.M. de Clarice Lispector, “eu também sou o escuro do mundo”.

Decifrar os destinos zodiacais escritos nas constelações, que dão uma significância menos científica e mais romântica ao céu, é um hábito adquirido há anos e que resistiu às muitas intransigências de meu ateísmo. Quando criança, eu inventava com gizes de cera e lápis de cor minhas próprias constelações, pinçando estrelas daqui e dacolá para depois agrupá-las em um céu de cartolina.

Lunna Guedes, editora da revista Scenarium Plural e amiga querida com a qual tomo muitos cafés coados em código binário, também é maga dos astros, engenheira de constelações, arquiteta de seres sidéreos (Não por que saiba criá-los, mas pela competência harmoniosa com que os reúne em tecituras celestiais). O livro SETE LUAS, uma das últimas publicações da Plural, traz em suas páginas textos escritos por sete cefeidas que escrevem ao sabor de radiantes pulsações: Aden Leonardo, Adriana Anelli, Adriana Elisa, Ingrid Morandian, Mariana Gouveia, Nic Cardeal e Rebecca Navarro. Em tempos entrevados por uma masculinidade terrosa e áspera, as autoras transformam seus versos em luzeiros gasosos capazes de nos guiar através da escuridão, de nos fazer voltar nossos olhares para o alto. Os poemas giram ao redor uns das órbitas dos outros como satélites que se enamoram e se desfazem sobre o peso de nossas cabeças, tornando-as mais leves, possibilitando o prazeroso mergulho, nos afogando livres do medo e da culpa em um cosmo de lirismo.

Sete Luas é um livro para ser lido com a sensibilidade da qual nos valíamos em nossa infância para estimarmos quantas luzinhas há no céu. Afinal, contar estrelas é um exercício de solidão e paz que não tem fim e, como os bons livros, pode ser revisitado sempre que nossos corações desafiarem, luminosos, as trevas que os ameaçam.

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Resenha | Dentro de um Bukowski

Por Marcelo Moro


aden leonardo

Foi apreciando uma poesia que falava de uma pedra que conheci Aden Leonardo — numa dessas madrugadas insones tão comuns para mim —, e depois descobri , tão comuns para ela também.

A pedra poderia ser na Lua ou em Marte, como gostam meus exageros, mas era uma pedra em Itaúna e, de tão curta descrição, me levou a imaginar um Everest dentro de uma caixa de fósforos… e me deu vontade de ouvir Wagner.

Sendo assim, segui seus ensaios e crônicas, sempre atualizando o cotidiano, o pãozinho do padeiro, a moça no ponto de ônibus e o beijo dos meninos terráqueos.

Troquei com ela algumas impressões, versos, cenas… e tive o prazer de conhece-la pessoalmente no lançamento dos Sete Pecados femininos, no coração da besta, na Pauliceia Desvairada… e logo ela, tão cheia de desvarios.

Dentro de um Bukowski”, é seu livro de estreia (e que estreia)… deslizar pela pele de cordeiro do velho Lobo é um ato desmedido de coragem, é um desvario ousado, e a moça Aden com seu tom quase juvenil — não só o fez, como deixou cair as máscaras do velho Buk.

Confesso que matei o livro naquela tarde/noite do lançamento enquanto voltava de São Paulo para Americana, e necessitei beber um pouco para iluminar de uma só vez os becos escuros iluminados aos poucos por Aden Leonardo na sua viagem… e é fantástico o número de caminhos propostos ao leitor.

Sempre que lia algo de Charles Bukowski eu ignorava as resenhas e evitava as críticas literárias, afinal, o velho Buk escrevia para mim… e, Aden, em seu excelente trabalho, escreveu suas linhas brilhantemente amarradas, de dentro do lobo… e já sem o disfarce.
Li mais algumas vezes ele todo… num gole só. E desce sem engasgar, queima na medida certa.

“Dentro de um Bukowski” traz Los Angeles para dentro de Itaúna, como o Everest para caixa de fósforos e… só me basta aplaudir e tomar mais alguns drinks em homenagem à tentativa totalmente bem sucedida e desassossegada que Aden Leonardo fez, ignorando o aviso da lápide do Velho Buk que diz “Don’t Try”.

Aden Leonardo é para mim a melhor ensaísta da nossa geração, e “Dentro de um Bokowski”… um dos melhores livros lançados em 2015.

Em tempo, quero destacar o efeito da arte do Livro concebido pela artista Lunna Guedes, aquela obra é como a mágica saindo e voltando para a caixa do mágico, sem mais…

Um salve para Charles Bukowski!
Um salve para Aden Leonardo!

 

 


— dentro de um bukowski, clique aqui para adquirir o exemplar —

Palavra do Editor | S.e.t.e L.u.a.s

Por Lunna Guedes


 

Eu nunca sei como as coisas acontecem em mim… sei que ganham forma no decorrer do dias-horas — aos poucos… em pequenos punhados de tudo, em poucos goles de nada. Fico a espiar a parede e suas ranhuras, a pilha de livros por ler e a xícara vazia no canto da mesa. Em meio a tudo isso, há o branco da tela do Word a chamar por mim com seu cursor a piscar: escreva-me! — convite que eu nem sempre estou disposta a aceitar porque sou uma ávida colecionadora de desaforos.

De repente — como um estalo-trovão — acontecem palavras dentro da pele-mente… e eu escrevo no ar. Um sorriso ardiloso-ligeiro escorre pelos lábios e o olhar se perde em distâncias incalculáveis.

Dentro de mim tudo faz sentido.
Antevejo tudo e nada… em somas impossíveis.

Com Sete luas foi exatamente assim. Estava quieta… a observar as minhas paisagens favoritas quando vi a lua emergir imensa-cheia-poderosa no negro céu. Pensei — quase que imediatamente —, no poema de Cecília Meireles: “tenho fases como a lua, fases de andar escondida, fases de ir para a rua”.

Eu enxergo as fases lunares como ciclos improváveis… que se dependem. A Lua é nova por um curto período de tempo… e cresce até alcançar a fase cheia. Ao atingir o seu apogeu — esvazia-se gradativamente até minguar… nada mais restar e ser apenas Lua — sem brilho-opaca-vazia. A mais intrigante-instigante-e-ignorada fase: negra-escura…

Há quem estabeleça paralelos entre: nascer-crescer-reproduzir-envelhecer-e-morrer.
São processos unos, que cada um preenche com silogismos particulares. Algarismos, que nem sempre podem ser medidos — somados tampouco.

Eu considero que nós mulheres, somos a própria Lua… com ciclos e fases que começam e terminam e recomeçam — imprecisos e não-absolutos.

Sete Luas foi pensado a partir dessa premissa… sete mulheres-poetas a conceber-Ser enquanto fases-ciclos… de vida-morte-arte. Cada qual a partir de suas vivências múltiplas, orientadas por um Norte que é o olhar no espelho… essa fina lâmina lunar onde reconhecemos rastros-restos-retalhos do que somos — ou não!

 


 

Aden Leonardo |  Adriana Aneli |  Adriana Elisa Bozzetto |
Ingrid Morandian |  Mariana Gouveia |  Nic Cardeal  | Rebecca Navarro

Tiragem única de 15 exemplares
Pedidos: scenariumplural@gmail.com


 

Coletivo 2017

 

R$ 50

 

 


Um projeto idealizado por Lunna Guedes…  ilustrado por Adriana Aneli e riscado por autores convidados a caminhar a cidade através das palavras e propor ao leitor uma viagem através da poesia… o livro é todo movimento, das cores-aromas-e-sensações. Ouse experimentar…

 

Aden Leonardo | Adriana Aneli | Caetano Lagrasta | Chris Herrmann
Ingrid Morandian | Marcelo Moro | Maria Vitoria |
Mariana Gouveia | Obdulio Nunes Ortega | Virginia Finzetto

 

 

Palavra do Editor | Coletivo…

Por Lunna Guedes…

Há pouco mais de uma semana, voltei às minhas caminhadas diárias… hábito que havia abandonado desde que o cão nos deixou. Ele era o meu parceiro de calçadas-esquinas-ruas-pracetas… com seus passos lentos e constantes pausas: em postes, árvores e portões. Era um curioso nato, que gostava imenso de se aventurar em certos cenários… e eu me deixava conduzir por seu faro aguçado. Nunca estava errado em suas escolhas. Eu era um barco, e ele a bússola a apontar para essa espécie de Norte.

Com ele — ao meu lado — no guia, durante os dias — porque os humanos estavam à solta —, visitava os caminhos e tropeçava nas anatomias dos lugares… escrevi inúmeros textos por aí. Conheci personagens e me libertei dos embaraços mentais, que vez ou outra se precipitavam em meu hemisfério neural.

Nossa caminhada nunca durava menos de uma hora… e hoje, ao voltar as ruas, senti falta de ritmo, da companhia, dos olhares caninos a interagir — ele sabia que as minhas insanidades se organizavam a cada passo… e rosnava quando alguém interferia ou insistia em ser companhia indesejada. Era um menino muito cuidadoso.

Meu passo hoje foi mais lento, sem as tais pausas… apenas a lembrança delas. Os joelhos reclamaram tanto quanto os pés, e o cuore se mostrou levemente descompassado… mas, aos poucos, foi acertando o passo, o ritmo, e o ar chegou aos pulmões com mais facilidade.

Alcancei, sem dar pelo caminho percorrido, o parque da Aclimação… onde finalmente fiz uma pausa para sentir os músculos e nervos, alongar e hidratar o corpo e a mente. Ouvia Carly Simon, enquanto pensava no projeto Coletivo… criado para homenagear esse ‘menino de quatro patas’. Há quem escreva livros-memórias sobre seus cães, mas eu escolhi-preferi convidar autores ‘a repetir’ suas travessias… percorrer calçadas, dobrar esquinas, atravessar ruas e viajar pelos cenários que nunca são os mesmos, por mais que se pareçam em forma e fôrmas.

Convite aceito… os ‘meus autores’ viveram — na companhia de palavras-temas, que foram a bússola de suas experiências andarilhas — suas próprias emoções… experimentaram Ser navegantes nesse mar, que nos acostumamos a chamar de realidade.

E, no final, ao desembarcar, aprendemos — todos nós — que o dia seguinte é um eterno reviver. O tempo é sempre presente, ainda que o passado acene com memórias, e o futuro com possibilidades. É aqui e agora que tudo começa e o embarque se anuncia… é só isso.

A você que embarca-desembarca, desejo uma boa viagem, porque somos navegadores dessa vida que começa e termina num mesmo ponto.



Participaram:

Aden Leonardo | Adriana Aneli | Caetano Lagrasta | Chris Herrmann
Ingrid Morandian | Marcelo Moro | Maria Vitoria |
Mariana Gouveia | Obdulio Nunes Ortega | Virginia Finzetto

 

Palavra do Editor | Diário das coisas que não aconteceram

Por Lunna Guedes


 

 

Quando o arquivo do novo livro de Aden Leonardo chegou às minhas mãos… eu aguardei alguns minutos pela impressão das cinquenta e poucas páginas em Word para ler no papel… porque sou antiga — e nem sempre a tela me oferece o conforto que preciso para apreciar as palavras de meus autores. É como beber vinho em um copo de plástico: parte do sabor se esvai.

Eu preciso da transparência do vidro, da cor do líquido, do aroma da uva, de todas as combinações que certas reservas trazem… e do toque.

O mesmo acontece com as palavras, que serão livros depois de passarem por mim… Degustei as muitas linhas de Aden Leonardo, que são confissões diárias, de vida e não-vida… reais ou — talvez — surreais… bem len.ta.men.te.

Fui lendo, rabiscando o papel, invertendo frases… tornando meu o que antes era apenas dela. Um segredo guardado dentro, no fundo de si.

Eu me vesti de suas emoções-confusões-dúvidas-amor-desamor… um sem-fim de coisas, de maneira a organizar-e-desorganizar seus versos. Percorri suas calçadas… atravessei ruas. Dobrei esquinas. Entrei e sai de vários lugares-cenários. Acompanhei crianças em movimentos, estranhos. Fui seus olhos, pernas, pés… me vesti de sua pele e dialogamos numa frequência inaudível.

Ao final da leitura… as palavras ganham textura… e o livro se torna realidade o bastante  para que a gente sinta a segunde pele coabitando o próprio corpo sem a resposta… para a pergunta nunca feita e uma certeza: as coisas nem sempre acontecem… 



‘diário das coisas que não aconteceram’

Aden Leonardo


Diário das coisas que não aconteceram | Aden Leonardo

 

R$ 35

 

 


Diário das coisas que não aconteceram… com o Diário, ou “des-diário” pretende-se quase muita coisa. Inventar os dias que não existiram. Conforme o tempo passa sem acontecer o que inventamos de ser, em luz e sombras, dias e noites, nascer e morrer. É uma história de não, em frases de afirmações. Uma dose de intenções. Talvez aconteça, talvez acontecesse, talvez aconteceu. É um livro de incertezas.

 

13 – Nem sempre a lápis | cinco poemas de Aden Leonardo…

Todo sonho resume-se em “se”.
E tudo não realizado… apenas não aconteceu — fez a curva dos “nãos” e se perdeu na esquina. Em algumas esquinas perdidas venta muito.
Não se esqueça disso: virou a esquina e ventou, sacudiu seus cabelos?
Você encontrou uma tempestade de sonhos perdidos.
Existem coisas que não aconteceram e se misturam à realidade… porque um sonho não pode ser só hipótese. Deixo assim, como {des} inventário de minhas posses, as coisas que não tive, junto às que talvez não aconteceram — como eterna confissão post mortem.

 


 

 

Ao som de Kepler

O som do sol
é um fantasma que carrego
bem do seu lado
onde nunca está – nada
de onde você nunca veio
por onde e aqui nesse eterno desespero
que mais esperei
Mirante vazio dentro de mim

A luz que se cumpre, bruxuleia meu medo:
que amanhã num fim do meio
meu meio, meu fim, do dia,
Saber de novo
no meu grito segredo:
Você nunca veio.

Fantasmas de mim se põem a dormir.
Aos gritos em pleno silêncio.


 

ASSINAR POEMAS
Autografei suas costas
Com a ponta da língua
com afago das mãos
refiz caminhos
Segurei teu rosto
no mesmo beijo
do último primeiro
dormiu três afagos
dois desejos
completamente saciados
Por algumas horas
pagas por mim, letra a letra
na fonte de erros de Eros.

 


 

NUANCE DA AUTORA
(ou efeito Lua de Papel)

Sonhei que eram duas
mulheres nuas
de nuance tênue
saindo do livro
feito de lua
em papel refeito
desenhado a meu modo
Acordei de hare raro místico efeito
vez que deleito
no corpo que já não deito
Em ambas desci para tão dentro
de crateras
Luas embriagadas
perdi trabalho
pedi cigarro
E nada
virei Bukowski
Vivi
Dois dias.

 


 

 

FALSA

Finge
Que não
Mas quando me vê
Morre
Sei que seu susto se lança
nos braços dela
Mas seus olhos se fecham
E nada tira nossa lembrança
Esquecemos de fechar a porta
Do quarto
Das idas
proibidas
das partidas
Morena, vadia, fumante passiva
de mim.

O Retrato do Confessionário Indizivelmente Expresso do Velho Buk

Por Adriana Aneli

Gente maluca em volta das mesas para o café da tarde… uma tarde mais que especial em Neverland, muitos desaniversários e confissões alinhavadas pelas mãos da anfitriã “Chapeleira Louca” Lunna Guedes.

Adriana Aneli, servindo “um pouco de café para as almas que não sonham mais” (Bob), foi dona de todos os rasantes sobre cada mesa, levando a intensidade de seus minicontos diretamente para o coração acelerado das pessoas… cafeína e emoção em equilíbrio com o dia cinza, vermelho e preto em grãos torrados e moídos.

O seu Amor Expresso com aroma, cor, brilho e luz seduziu, encantou e esgotou, como era de se esperar… o poeta, mestre cuca e jurista Caetano Lagrasta foi muito feliz ao dizer que esposa brilhava flutuando e fez jus ao sucesso. Grande Tarde.

Os pecadores, livres para pecar, pecavam sem moderação, indo da Luxuriosa concepção à preguiça de explicar algumas linhas mais obtusas, nesse caso, eu… quando o 7 em chamas queimou nas capas dos livros, obra de arte, mãos sedentas se entrelaçaram em busca de tê-lo – textura na pele, uma gula em outra forma, mais legal.

Em outro ambiente, ainda que a mesma mistura, a janela sobre o fundo preto abria-se para o Indizível orgasmo Lilás da poeta Bianca Veloso, talentosíssima, e de uma força indizível no verso sobrepondo a meiga serenidade daquele olhar pleno e calmo, um vulcão tranquilo, ainda assim um vulcão… linhas que queimam.

Pudemos ver também a energia velada e revelada de Tatiana Kielberman, organizadora do livro de vários autores que abriu para nós, viajantes e convivas, os Retratos da Alma de cada um dos autores, fossem poetas, contistas, cronistas etc., um material de sensibilidade ímpar, que merece bastante atenção.

E, baixando o ocaso, revelando-nos um Crepúsculo chegando no horizonte… cavalgando um Zaino Negro, o verso audaz da nossa Maria Florêncio, Maria de todos os sorrisos e astrais… abriu a última edição da Revista Plural para este ano de 2015.

…num convite sui generis, a multidão de ilhas ali naquele mar de poesia mergulhou com Aden Leonardo para Dentro de um Bukowski – como fez falta a menina Aden na nossa festa de sábado – deixando que saboreássemos suas linhas sem sentir seu perfume ou poder olhar naqueles olhos das Minas Gerais, olhos de gemas preciosas…

Fizeram falta os 3 pecadores: Emerson, Lourival e Beto, mas… como diria o sábio homem, os poetas podem estar ausentes, contudo, suas linhas são eternas.

Foi bom conhecer Bianca, Joaquim, Baltazar, Vê Almeida e tantos outros leitores e leitoras virtuais, e agora sólidos… grande festa de uma troca incrível de energias.

E não podemos de modo algum esquecer da Grande Lebre Maluca, Marco Antônio Guedes… o Homem-Scenarium cheio de bom humor e “haja paciência” com todos esses planetas malucos sem órbitas que gravitam os arredores… gente que realmente perdeu a ponta da corda.

Obrigado!

06 – Nem sempre a lápis | Aden Leonardo

 

Cacarecos

Quando o barulho invade sua retina
— lente lenta
Suas duas vezes obturantes
…sabe palavras que não partem mais!
— despedidas,
Ela anda saturada de palhetas
Vinhetas
E das Mãos…
que sabem de cor —
Sua
Ação.


 

Assinar poemas

Autografei suas costas
Com a ponta da língua
com afago das mãos
refiz caminhos
Segurei teu rosto
no mesmo beijo
do último primeiro
dormiu três afagos
dois desejos
completamente saciados
Por algumas horas
pagas por mim, letra a letra
na fonte de erros de Eros.

 


 

Nuance da autora
(ou efeito Lua de Papel)

Sonhei que eram duas
mulheres nuas
de nuance tênue
saindo do livro
feito de lua
em papel refeito
desenhado a meu modo
Acordei de hare raro místico efeito
vez que deleito
no corpo que já não deito
Em ambas desci para tão dentro
de crateras
Luas embriagadas
perdi trabalho
pedi cigarro
E nada
virei Bukowski
Vivi
Dois dias.

 


 

Falsa

Finge
Que não
Mas quando me vê
Morre
Sei que seu susto se lança
nos braços dela
Mas seus olhos se fecham
E nada tira nossa lembrança
Esquecemos de fechar a porta
Do quarto
Das idas
proibidas
das partidas
Morena, vadia, fumante passiva
de mim.

 


 

Aden Leonardo é autora do livro de poesias ‘dentro de um bukowski’ — série exemplos de poesias da Scenarium — ano 2015.

Dentro de um Bukowski | Aden Leonardo

| dentro de um bukowski |

 

$35

 

Por vezes pensei nesse título. Seria um oportunismo usar “Bukowski”. Para uma escritora, gênero feminino seria uma agressividade proposital? O nome veio de uma resposta. Um comentário que eu gostaria de minha vida dentro de um livro, de preferência dentro do Buko.
Tenho metas singelas. Todas envolvem dominar o mundo.
Dentro desse livro, posso tudo. Ditarei as novas metas da ilha de Sartorini, novo escritório, com meu lado B enfim…
Dou notícias, em breve.  Céu abrindo, música de abertura, anjos pops, tudo que tenho direito. Aguardem”…