Coletivo |Apresentação…

Por Lunna Guedes…

 


 

Há pouco mais de uma semana, voltei às minhas caminhadas diárias… hábito que havia abandonado desde que o cão nos deixou. Ele era o meu parceiro de calçadas-esquinas-ruas-pracetas… com seus passos lentos e constantes pausas: em postes, árvores e portões. Era um curioso nato, que gostava imenso de se aventurar em certos cenários… e eu me deixava conduzir por seu faro aguçado. Nunca estava errado em suas escolhas. Eu era um barco, e ele a bússola a apontar para essa espécie de Norte.

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Plural | Inéditos & Dispersos

Por Adriana Aneli

 


 

Olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue nas gengivas

Ana C.

 


 

 

Estamos em silêncio. Chegou o momento de calar. De se alienar. De romper. É hora de se deixar reinventar pelo olhar do outro. Encontrar, na matéria mágica que nos torna escritores, o antídoto ao dia que não nasce. Ao voo escuro. Ao revidar da noite…

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Resenha | Detalhes Intimistas

Por Adriana Aneli


“Sou o Albatroz que te espera
no fim do mundo”

Li Detalhes intimistas durante uma viagem de navio: …“espero que goste da leitura”, dizia a dedicatória. Malas prontas, aceitei o convite. Ainda no porto, o aviso: “tem página em branco para ser escrita”.

Embarquei: “Não sei bem para onde, mas a vida me guia e conhece exatamente o local de destino”. Fui conduzida por este cenário. Silenciosamente. Até acostumar os olhos, o exercício de enxergar além.

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Coluna Plural | Meu livro de cabeceira

Por Adriana Aneli

 


Livros são muitos… e exatamente por isso eles têm que se diferenciar, conter algo que os saque do orfanato — da livraria e de suas prateleiras medonhas. Livro tem que ter algo de minoria, de quase esquecimento e espera para ser descoberto… Um quê de poeira e relíquia torna um livro especial. Basta olhar para ele, que lhe devolve seu olhar de gato de botas: a beleza irresistível da exclusividade.

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Adriana Aneli

Autora dos livros amor expresso
e a construção da primavera


…nascida e vivida em São Paulo desde 1976. Aos 13 anos acreditou que a literatura era mesmo um bom negócio: depois de lançar livros, fazer recitais (vestida de mamãe Noel em cima de um caminhão) e ganhar um programa de rádio para chamar de seu, achou que estava errada e foi fazer Direito. Após sua metamorfose de décadas, redescobre a Tempestade Urbana e com Boca a Penas está de volta ao Scenarium. Fui!

A Construção da Primavera

A construção da primavera é um resgate da lírica helenística — a poesia de Safo e as canções de Bilitis — em que os elementos da natureza, do clima e da passagem do tempo marcam a psiquê da personagem. Alegria, melancolia, exaltação, recolhimento são as quatro estações e seu recomeço.

Adriana Aneli

AMOR EXPRESSO

 

Amor expresso pretende libertar risos ou gritos guardados na garganta. São histórias feitas por e para personagens anônimos que acordam perplexos para as banalidades boas e más que nos ocorrem a cada dia, toda manhã, após uma xícara de café.

Adriana aneli

Coluna Plural | Onde está Wally?

Por Adriana Aneli

 

Não sei você, mas eu estou exausta.
Todo o excesso me abarrota: informações-gestos-certezas-intenções-imposições me jogam nesta ressaca.
Entre anúncios de carros que não cabem na garagem, eletrodomésticos que não cabem na rotina, imóveis que não cabem na cidade, estilos que não cabem na existência e dívidas que não cabem no orçamento, sobrevivo assombrada.
Tento uma fuga clichê e entro na livraria do shopping. Ali, a derradeira avalanche: capas e títulos, cores e letras, best sellers e poket books. Prateleiras – com seus últimos requentamentos e saldões – me intimidam. Assisto a capacidade de criação e de autoria de pensamento ser devoradas pelo consumo.
[A vendedora dá as costas para mim; ela sabe que seus livros não cabem na minha alma].

 

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La Bottega di Lunna

Por Adriana Aneli


“As águas dos mapas são mais silenciosas que a terra,
deixam a ela a conformação de suas ondas”

Elizabeth Bishop

 


 

Aprendi, tomando um gelato no Le Bottegheplural de bottega —, do italiano: “oficina artesanal e artística, onde o mestre trabalha ao lado de seus discípulos”. E aprendi, discípula, ao lado de mestres… que a vida deve ser levada assim: de modo artesanal.

Mas, para se fazer algo artesanal, é preciso dispor do bem mais raro do milênio: tempo.

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