Conto | Adriana Aneli…

o pescador de ilusões

Morava naquela calçada… até as pessoas de bem se sentirem incomodadas. Então se mudava para outra calçada. A vida cabia na mala e ele a arrastava. Pedia dinheiro para o café. Não davam. Vai pra crack e cachaça. Não ia não. Ele não queria crack e nem cachaça. É verdade. Queria café. Comida arrumava. Queria café. Café, moço. Perdeu o juízo, mas não a vontade. Só queria um copo de café quente, muito quente, tão quente que descesse pela garganta queimando, queimando, quente… até aquecer a ponta dos dedos nesta manhã gelada.

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Todos os dia quando acordo

Por Adriana Aneli


Ainda não me lembro de ter feito nada de que eu me arrependa este ano. A meta é por a vida em ordem e colocar a cabeça tranquilamente no travesseiro.

Talvez seja só a música que me martelava os ouvidos na infância: “um bom menino não faz xixi na cama”… Ou talvez tenha a ver com o acidente que a vitimou nestes dias, uma conhecida. A certeza da vulnerabilidade não me empurra para o tudo ou nada. Ao contrário a efemeridade me leva para o deixar em ordem, metodicamente, falando.

E aí entram: arrumar gaveta, fazer dieta, retomar rotina de exercícios, zerar fila de processos no trabalho, deixar a papelada em ordem, separar o lixo reciclável, colocar a leitura em dia – não assumir compromissos literários até ter a disponibilidade de realmente cumpri-los.

E assim vi minha “planner” – porque, vamos combinar que planner não é agenda, tá? – minuciosamente preenchida de informações e possibilidades dia após dia deste janeiro que passou em paz (para mim, não para o mundo).

2018 é o ano do “agora vai”, a depender da boa dose de esperança a cavar no peito, este poço em que seca a água.

2018 é o ano em que as pessoas que me conhecem vão demonstrar afeto tolerando minha distância e silêncio… Porque, afinal, o dia tem 24 horas e eu tenho 41 anos para por em ordem!

PLURAL 1900 | A casca da laranja

Por Adriana Aneli

Nunca fui uma sabe tudo; embora o desejasse profundamente. Esforçada desde a corrida no útero… tenho a constituição orgânica do tudo ou nada. Foi assim que, aos quatro anos, vi a caneta eloquente nas mãos da minha mãe se transformar no desejo de ler e escrever antes mesmo de entrar na escola. Continuar lendo “PLURAL 1900 | A casca da laranja”

Coluna Plural | A VIDA É BELA

Por Adriana Aneli

 


 

Não mente sempre a arte? E não é quando mente
mais que ela se revela mais criativa?

Konstantinos Kaváfis,
Reflexões sobre poesia e ética.


 

 

Não sei dizer dos animais, senão do homem que os copia. A mentira é a linguagem do mimetismo, a evolução possível: o processo pelo qual nos adaptamos a cada nova situação, conforto na guerra. Continuar lendo “Coluna Plural | A VIDA É BELA”

Se não escrever, saio para as ruas e mato alguém…

Por Adriana Aneli

 

 

Sou o contrário disto tudo. Escrevo pouco… Falo menos ainda. Às vezes preciso parar o movimento para despertar os sentidos; prender a respiração até o oxigênio voltar a ser imprescindível. Parar. Pensar. Sangrar. Continuar lendo “Se não escrever, saio para as ruas e mato alguém…”

Resenha | Crônicas da vida pensada em silêncio…

Por Adriana Aneli

 

O encontro é em seu território. O anfitrião chega à página 07 e dedica o livro para mim, que o lê, e a Edward Hooper… a solidão cosmopolita humana. O convite é para seu ato de criação, às forças interiores que mobiliza para expor sua coragem em todas as minhas contradições e pecados — dos quais, aliás, muito me orgulho”.

Continuar lendo “Resenha | Crônicas da vida pensada em silêncio…”

Resenha | amor expresso

Por Marcelo Moro

 


 

Desde muito cedo, aprendi que o café é uma arte… meus pais, amantes desse tesouro, me deram como herança tal apreço. Antes, meu bisavô — na cidade de Santa Cruz das Palmeiras, interior de São Paulo — cultivava, colhia, secava e ensacava o que viria como maravilha depois para nossas xícaras.

Continuar lendo “Resenha | amor expresso”