Marcelo Moro

Autor

 

Virginiano místico, nascido sobre terras tecelãs.
Regido sob os véus de Ártemis e suas danças insones desde menino.
Cerziu suas histórias a passos soltos: Ora aqui…ora em Istambul, anéis de Saturno ou nos olhos fumegantes das costureirinhas e de suas entranhas nostálgicas.
Filosofa sua acidez cotidiana em torno de cafés ou doses etílicas, sob a regência dos burburinhos locais.
Com uma peculiaridade característica – musicaliza as curvas poéticas de suas musas como um domador de versos.
Ah! E como são inspiradores seus golfos insensatos! Sobre esse ir e vir, inúmeras vidas, a linha subentendida entre: O ser…o querer e o fato.”

Por Maria C. Florêncio

Poeta, ensaísta, publicitário, músico e futurista!

 


Marcelo Moro é autor dos livros de poesias
“Teatro das Ousadias” e “Alameda das Sombras”
Para maiores informações, clique aqui

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Alameda das Sombras | Marcelo Moro

 

 

R$ 35

 

 


— o poeta pretende que o leitor caminhe pelos lugares e insira pausas na realidade para olhar mais de perto uma-duas-três vezes o que é paisagem-cenário… porque os poetas enxergam sombras e as desenham no verso da folha para quem você compreenda o que é marcha dentro da sombria alma do poeta.

 

 

Palavra do Editor | Alameda das Sombras…

Por Lunna Guedes

 


“mas eu não me importava e seguíamos juntos numa boa
— sem frescuras, sem aporrinhações, andávamos saltitantes
um em volta do outro, como novos amigos apaixonados.”
on the road

 


 

Quando Marcelo começou a me enviar o material para o seu novo livro, estava a ler pela milionésima vez ‘on the road’… e não podia imaginar o quão significativo seria esse ‘pequeno detalhe’ — uma ‘espécie de trilha sonora’ na arquitetura de ‘alameda das sombras’… que veio para minhas mãos com outro rótulo — descartado após meia hora de conversa com o Poeta.

Com um punhado de páginas em mãos, percebi que adormecia no papel um sem-fim de versos alinhavados por uma ‘suposta hipótese de paz’…

Sabemos, contudo, que os poetas não têm paz. Eles fingem — como tão bem afirmou outro Poeta… Pessoa.

Em cada verso lido… me deparei com um homem a narrar a realidade e suas muitas tramas — verdadeiros ecos urbanos-noturnos. Inquieto, o Poeta tem olhar faminto, que o faz tragar dezenas de miragens urbanas. Arredio, não dorme… e dispara sua ansiedade em linhas.  Insano, não pestaneja: discursa uma ilusória sobriedade.

A poesia de Marcelo Moro se orienta a partir das pegadas que ele traga, conforme pisa o chão da cidade onde vive-mora… seu passo se encaixa facilmente em outros passos. No entanto, às vezes, a fôrma não lhe serve e a forma lhe escapa. O homem não parece habituado à inquietação, mas se rende a uma espécie de serenidade tumultuosa…

Para o leitor, não será nada fácil tragar a poesia de Marcelo Moro… será como embriagar-se numa noite de quarta, durante o futebol, com aguardente — rotulada com nome próprio num boteco entre esquinas. Será preciso despir-se de si e provar de seu rastro… em caminhadas cambaleantes. Alargar o olhar e consumir todas as suas medidas. E, como estamos acostumados a viver a bordo de nós mesmos, espiando os outros de longe, sem vestir-nos do que é alheio… o exercício que a poesia do Poeta de Americana nos propõe, através de suas enxurradas  — de sentimentos, tormentos, discrepâncias — em linhas nada retas… pode ser desconcertante.

 


 

AVESSO

Brasa encoberta
Esperando ser soprada
Na orelha de Eurídice
A lira mal tocada
Sou tocaia —

…vem e verás o que acontece,
…quando a porta se fecha!
Quando restar essa pequena luz
— azul exuberante…
Nas frestas da alma!

Marcelo Moro, em ‘alameda das sombras’
— Scenarium livros artesanais — 2016

 


09 – Nem sempre a lápis | três poemas de Marcelo Moro

Enquanto o ano novo não vem

O que faremos
…nessas tardes-noites de dezembro
— perdidos em um bosque de luzes?
Revendo os sonhos infantis
Todos lobos a perder o pelo,
…mas nunca o vício!

O Natal é vermelho,
Tom e meio-tom…
Assim como é o batom,
presente ou não… naquela boca!

E virá aquela chata semana… sem sal
Depois do Natal e antes das ondas…
dos beijos e de Iemanjá
Antes do gosto Demi-Seco
…enquanto não se começa
de novo e de novo!


Selvagem

Assim como o Mar é azul
E monótono, quando se quebra em tons verdes

Ela é ariana… crua
E cabeças se desfalecem à sua presença

Balança nossa crença… tamanho pecado
É o Éden desfigurado por um vulcão
Superação de quem vence
Bálsamo para um dia caótico
Salmo erótico, herético, herege
Contramão — no sentido certo

Brilha uma supernova
Dando ordem ao caos
Brotando azul na imensidão
E reunindo a órbita… sem direção!


O pecado

O fruto do Jardim noturno
Suspenso, vermelho-dourado
Tem um tom adocicado
E a pele macia, sem o áspero
E… de tanto luzir nos olhos da serpente
Tornou-se dela pupila
Parte do desejo
Aceso como brasa de cigarro ao vento
Vivo no pensamento
Em paz no coração
E deslizam entre minhas pernas
As suas, quase sem sutilezas
Sem frescuras