Poesia | Marcelo Moro


  CORRIQUEIRO


 

 

Apitava o trem
A fábrica… uma aqui, outra ali, acolá
Soltavam seus vapores as caldeiras
E o dia amanhecia
Trazendo o Sol a fórceps
Para banhar de luz amarela a velha feira
Onde as comadres pechinchavam o almoço médio
Onze horas em ponto
Ao som da rádio clube
As alamedas se enchiam de passos
Movimento contrário
Que logo se reestabelecia
Depois do cochilo
Naquelas longas tardes de primavera
Calor, canto da cigarra
E, quem sabe, alguma chuva que nos divertia
nas enxurradas da Professor Ignácio
Até as cinco, onde os apitos decretavam
Que a Princesa Tecelã enfim descansaria

Ainda tinha o bate-papo nos portões
Cadeiras nas calçadas depois da janta
E o banho de Lua, sempre bela

 


 

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Palavra do Editor | Alameda das Sombras…

Por Lunna Guedes
Editora Scenarium

 


“mas eu não me importava e seguíamos juntos numa boa
— sem frescuras, sem aporrinhações, andávamos saltitantes
um em volta do outro, como novos amigos apaixonados.”
on the road

 


 

Quando Marcelo começou a me enviar o material para o seu novo livro, estava a ler pela milionésima vez ‘on the road’… e não podia imaginar o quão significativo seria esse ‘pequeno detalhe’ — uma ‘espécie de trilha sonora’ na arquitetura de ‘alameda das sombras’… que veio para minhas mãos com outro rótulo — descartado após meia hora de conversa com o Poeta.

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