Conto | Adriana Aneli…

o pescador de ilusões

Morava naquela calçada… até as pessoas de bem se sentirem incomodadas. Então se mudava para outra calçada. A vida cabia na mala e ele a arrastava. Pedia dinheiro para o café. Não davam. Vai pra crack e cachaça. Não ia não. Ele não queria crack e nem cachaça. É verdade. Queria café. Comida arrumava. Queria café. Café, moço. Perdeu o juízo, mas não a vontade. Só queria um copo de café quente, muito quente, tão quente que descesse pela garganta queimando, queimando, quente… até aquecer a ponta dos dedos nesta manhã gelada.

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