À Herberto!

Por Mariana Gouveia . . “Só alguma coisa parada no cimo de uma visão tremente. A primavera, que eu saiba, tem o sal como cor imóvel, Por um lado entra a noite, assim de súbito negra”. Herberto Helder . Meu caro Herberto! . Abro a janela e seu poema rodeia o quintal. A noite chega…

Cartinha a Herberto Helder

Por Maria Vitoria . . H.H, . Coço as gengivas superiores olhando para o lado esquerdo da cama. Um coração desgastado está infincado na parede, meio subexposto aos lençóis e cobertas desarrumados, numa tentativa débil de parecer uma arrumação matinal. As gengivas possuem carne morta infincadas nos vãos laterais da boca e eu penso naquele…

A sombra dos elementos por cima

Por Lunna Guedes   . . Olá meu caro Bardo, . …me perdi do tempo assim que aterrissei os olhos nas páginas de teu livro — a morte sem mestre. Nunca sei se travo diálogo contigo ou com tua escrita. Sei, contudo, que fui e voltei de tantas manhãs, um sem-fim de abismos e vi o…

Herberto Helder

Por Lunna Guedes . “A manhã começa a bater no meu poema”  . Um poeta que não tinha onde caber… Nascido no Funchal a 23 de Novembro de 1930, com ascendência judaica, Herberto Helder de Oliveira viu morrer-lhe a mãe aos oito anos de idade — e talvez por isso, a figura materna associada à beleza,…

Carta à Florbela Espanca

Por Emerson Braga . . Inferno dos Misantropos, 24 de março de 2018. . Senhora Espanca, . A Princípio, pensei em escrever esta carta para uma conterrânea que contigo divide o Inferno dos Suicidas, a Sra. Plath, pois o português é uma língua que, de tão líquida, me escapa. Porém, se prefiro manter a razão…

Carta à Florbela

Por Mariana Gouveia . .   Querida Flor. . A primeira carta que te escrevi eu tinha 11 anos — ou seriam 53? — por que parece que não mudou o rumo das coisas. Lá — há 43 anos — havia violetas roxas no quintal. Era outro tempo, outro lugar… ou será que avancei no…

Carta coisada para Florbela Espanca

Por Maria Vitoria . . Flor, . Estou aqui a me indagar sobre o significado de estar à frente do tempo. Olho em volta de mim e por questão de compassos dos segundos, sinto o útero mastigar os meus ovários. Corrijo minha última prova da faculdade e vejo o quão não tão boa eu me…

Missiva à Bela Flor,

Por Obdulio Nuñes Ortega . . Florbela, eu tinha vinte anos quando ouvi falar o seu nome pela primeira vez. Achei que fosse pseudônimo. Brincando há já alguns anos de escrever poemas de amor sem nunca ter amado, a não ser metaforicamente, achei seus versos um tanto exagerados, principalmente porque os ouvira entoados em canção…

Sem gestos novos nem palavras novas

Por Lunna Guedes . . “minh´ alma é uma fogueira acesa, é um brasido enorme a crepitar“… . Cara Florbela . …a segunda-feira amanheceu cinza e chuvosa. Um dia típico de outono, perfeito para se ler um livro e degustar de uma xícara de chá. Decide ler-te… algo que não fazia havia anos e quase…

Florbela Espanca

Por Lunna Guedes . Eu quero amar, amar perdidamente! Amar só por amar: Aqui… além… Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente… Amar! Amar! E não amar ninguém! Florbela Espanca . Poeta Portuguesa, nascida a 8 de dezembro de 1897 em Vila Viçosa, no Alentejo — filha ilegítima de uma “criada de servir”…

Carta à Emily Dickinson

Por Emerson Braga . . Inferno dos Hedonistas, 24 de março de 2018 . Conchada Senhorita Dickinson, . Admito meu atrevimento ao invadir tua reclusão, mas quem sempre manteve a própria porta aberta não costuma pedir licença antes de adentrar outros universos. Tu não me conheces, mas, a ti, eu conheço desde menino, pois nasci…

Carta à Emily…

Por Mariana Gouveia . . Eu te dou metade dos meus pássaros — sobre a doce condição de que você os trará de volta — você mesma, e habitará um dia comigo, alegria sem preço, eu mesma ganhei da natureza. Emily Dickinson . Querida minha! . Talvez seja intimidade demais para nós… eu, que conheço tanto…

Carta cinza para: Emily Dickinson

Por Maria Vitoria . “Para preencher um Vazio Inserir a Coisa que o causou — Tenta bloqueá-lo com outra — e mais vai se escancarar — Não se pode soldar um Abismo Com Ar” — Emily Dickinson . E.D, . Observo os vidros de minhas janelas e eles estão imundos. Por incrível que pareça, lá fora também tudo…

Carta à Senhorita Dickinson

Por Obdulio Nuñes Ortega , . Senhorita Dickinson, desculpe importuná-la com minha missiva. Sei que presa por sua solitude, acima de qualquer coisa. Que se solta dentro de si de tal maneira que alcança lonjuras d’alma. Que se esquece ao lembrar e vive de lembrar se esquecer. De alguma maneira, seu afastamento da vida comum…

Minha Loucura é o mais divino Senso,

Por Lunna Guedes . “entre o meu País — e os Outros — Há um Mar — Mas Flores — negociam entre nós — Como embaixadas“ , . Emily, . …escrevo-te de meu quarto, porta fechada, janela aberta, dúzias de livros de poesias, empilhados. Uma xícara de chá quente ao alcance das mãos… e uma necessidade infinita…

Emily Dickinson

Por Lunna Guedes . How slow the Wind — How slow the sea — How late their Feathers be! — Emily Elizabeth Dickinson nasceu em Amherst — uma pequena cidade do Estado de Massachusetts, no interior de Bonston — a 10 de dezembro de 1830 e ali morreu em 15 de maio de 1886. E,…

Carta a Al Berto

Por Emerson Braga . . Inferno dos Misantropos, 24 de março de 2018 . Al Berto, . Bem sabes o quanto resisto à ideia de escrever-te. Tua acidez, apesar de elegante, aborrece-me sempre que sou posto à prova. Porém, em ti persevera a sabedoria dos jovens que, de tão inocentes, cedo perdem a inocência e…

A Al Berto!

Por Mariana Gouveia . . Fala-me tu do Amor… e dessa coisa esquisita que é o tempo com quatro dedos de distância entre o ardor das línguas e a asfixia dos corpos. Fala-me tu do Amor e desse desejo que arrasta a proximidade que anula todos os intervalos em pequenas existências que de tão insignificantes…

A Al Berto — Carta Aberta

Por Obdulio Nuñes Ortega   . Al Berto, amigo que reconheci finalmente quando a Lua me chamou a atenção para si. Já o conhecia antes. Cheguei a me referir à sua obra em um sítio português, quando seus versos me impressionaram. Mas, estranhamente, esse encontro se perdeu nas brumas da desmemoriação que sofremos pela pressão…

Meus incêndios…

Por Lunna Guedes . . Ciao Al Berto, . Aqui jaz o fim de tarde e não há silêncio na cidade, nas ruas, nas esquinas onde acontecem encontros inesperados, ao acaso da vida. E eu a tudo assisto… sem nada registrar ou guardar. Leio-te, meu caro… uma página por vez. Tomo folego e mergulho… sem…