COLUNA PLURAL | A palavra que me seduziu…

Por Obdúlio Nunes Ortega


 

Eu sempre gostei de desenhar… aos quatro ou cinco anos, reproduzia traços indecisos copiados de gibis e ilustrações de revistas… aos seis, na pré-escola, ao ser apresentado as primeiras letras, fiquei fascinado pelas possibilidades que se apresentaram em desenhar cenas através da condução das palavras. Aconteceu mais como se fosse a chegada de um vento suave a me envolver, a carregar ar novo no ambiente fechado do porão onde a minha família morava na Penha.

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Coluna Plural | Livros que não foram terminados

Por Chris Herrmann


Acordei pensando naqueles livros que teriam sido se eu tivesse escrito, começado ou terminado. A mesa cheia de papéis denuncia minha preguiça, falta de criatividade ou ansiedade? A dinâmica da literatura parece me sucumbir. O que você, leitor interessado nas minhas linhas, me diria num momento desses? Tenho medo. Tenho medo de pensar sobre isso, e mais medo ainda de não pensar.

Retorno à mesa de trabalho. Ligo o computador e fico olhando para a tela, como se dela, viesse a resposta. Meus dedos tremem. Largo o teclado e remexo meus papéis. Ah, tantas ideias malucas sobrevoando minha cabeça fumegante… talvez seja este o problema, pensei. Você me perguntaria: Mas onde está o problema, nas ideias malucas ou na cabeça fumegante? Eu diria: Nos dois! Mas o problema não acaba aí. A forma de escrever tem que te tocar, querido leitor. Tem que te fazer estremecer e te emocionar. Tem que te levar ao inferno e ao paraíso…

Comecei a escrever um livro há anos e engavetei o coitado. Depois outro e outro. E sempre penso em mais algum só para demonstrar a mim mesma que incompetência não tem limites e ainda pode tomar o poder sobre mim. Então comecei a folhear os que já publiquei. Perderam aquele cheirinho de novo, sabe? Mas ainda tem o aroma e a beleza da poesia que circundava a minha cabeça em algum momento da minha vida, até a independência que lhe foi prometida chegar. E chegou.

Hoje estou mais calma. Volto a escrever mergulhando num dos pequenos mundos que se alimentam da minha voz. Sei que há livros inacabados na gaveta. Sei também que há papéis desordenados sobre a mesa imitando os meus neurônios. Mas por que me desesperar? Eu e você, caro leitor, somos livros com honrosas páginas em branco. Somos todos, histórias inacabadas. A vida e o mundo (este casal tão pouco explorado) estão sempre em movimento de transformação e nem sabemos ainda no que vai dar. E é esta beleza que fascina tanto a mim quanto a você, e a quem mais interessar possa… o romance eterno, inacabado por natureza.

Coluna Plural | Palavra-borboleta

Por Tatiana Kielberman


A primeira vez em que a palavra veio me visitar, pousou-me feito borboleta que escolhe a dedo o seu jardim. Encantou por suas imensas possibilidades e, sobretudo, pela imaginação despertada na criança que eu era…

Tinha apenas cinco anos de idade, mas lembro como se fosse hoje: num piscar de olhos, escrevi um bilhete em poucas linhas, finalizado pelo que poderia ser chamado de meu nome — ou “uma tentativa de” — e o entreguei a uma amiga de minha mãe, que sempre me foi muito estimada.

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Coluna Plural | Como seria se a vida fosse comandada pela literatura?

Por Caetano Lagrasta


Seria uma prisão, encadernada ou em brochura. Daquela sairiam ideias limpinhas, educadas, vendidas a preço ao alcance da burguesia — que, por sua vez, se colocara em compêndios enciclopédicos, sob a proteção de ricas lombadas de couro de porco, grafadas em ouro.

Para as brochuras estaria reservada a vida dos desvalidos, nada obstante agraciados com os mesmos autores e ideias dispensadas às edições luxuosas cuja compreensão lhes seria árdua.

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Coluna Plural | Meu livro de cabeceira

Por Adriana Aneli

 


Livros são muitos… e exatamente por isso eles têm que se diferenciar, conter algo que os saque do orfanato — da livraria e de suas prateleiras medonhas. Livro tem que ter algo de minoria, de quase esquecimento e espera para ser descoberto… Um quê de poeira e relíquia torna um livro especial. Basta olhar para ele, que lhe devolve seu olhar de gato de botas: a beleza irresistível da exclusividade.

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Coluna Plural | Alguma coisa acontece…

Por Caetano Lagrasta

 

Era uma vez, um baiano, cercado de novos caetanos. Todos eles sonhavam de pés descalços antes de serem despachados para Londres, serrana bela e eles não serviam ao Grão da Bretanha, mas a ela.
Vestiram pele de carneiro para ser capa de long-play e cantaram, até a Asa Branca, que bateu asas do sertão.
Despedidos de sampa passaram frio medonho tomando chá com torradas na Down Street.

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