Religare | Marcelo Moro

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R$ 45

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Essa grande sinfonia de ir e vir, desligar-se para ligar-se novamente.
Isso é o Religare. Verdades melhoradas nas linhas dos 21 contos que compõe esse movimento. Intenso como maré alta a favor do ventos…o teor mínimo desse nosso encontro.

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Adriana Aneli

Lembro-me — e não sou boa em recordar pessoas — de nosso primeiro contato: apressado.  Seu passo pequeno sem deixar rastros. Olhar dissimulado… sem vertente de fazer somas. Nem mesmo voz parecia ter… foi apenas um gesto: cartão deitado em minhas mãos.
Bastou, no entanto, uma xícara de café, para sabê-la Mulher… de palavras e traços… de azul a bordô. Uma sombra no chão a marcar seus contornos, como se calculasse o espaço vago para si mesma.
Sempre breve e exata… um expresso degustado no final da tarde. Um bom presságio para um diálogo que não retorna… se espalha e se conjuga com sorriso esquadrilhado.
Foi café-amor, com narrativas que são tatuagens em busca de pele… e em linha reta foi… diário a narrar as peripécias do verão ao inverno, em poucas horas.
Também é poesia… missiva… é tudo que o papel aceita quando o silêncio se aconchega e e pais, mar… um céu esquecido. Memória. Ausência das horas. Caderno aberto. Xícara de chá quente. Um degustar demorado.

Senhoras e senhores: Adriana Aneli

 

 


 

Autora dos livros
| amor expresso | a construção da primavera | o sol da tarde |

Rua 2 | Obdulio Nuñes Ortega

R$ 40

 

 


Pelos contos da Rua 2 passeiam personagens que se conhecem-desconhecem em sentidos contrários e direções marcadas. Vida e morte se confrontam nessa via de mão dupla. Pertencem ao mesmo caminho. Têm a mesma intensidade e propósito — provarem-se a si como senhores do Mundo/Periferia — ilusão real de todos nós, ao rés do asfalto.

 

 

Palavra do Editor | Rua 2

Por Lunna Guedes


 

…quando eu nasci, a minha família vivia em uma casa antiga, de pedras… que tinha pertencido à outra família, sem uma história conhecida por mim. Não sei quem eram, tampouco o que faziam. Partiram sem deixar marcas-rastros. Apenas uma placa deixaram:”vende-se essa propriedade”.

Cresci ali, na segunda rua de uma simpática Vila… que tinha uma bela vista. Nossa casa era a de número 141, quase esquina… quase fora da rua. Eu sabia cada morador-vizinho das outras casas… os dois irmãos na casa da frente, a signora falante que ia sempre à frente do marido, a tecer seu rosário de reclamações, o sargento e seus dois cães pastores, a professora e sua filha com o rosto queimado. E a melhor de todas: a casa da portuguesa, com seus cães-gatos-pássaros… e as lendas cantadas pelos moradores-vizinhos — que a anunciavam como sendo uma stregga.

Para mim… a melhor das amigas. A dama que me ensinou um idioma-novo, ao qual escrevo essas linhas.

Havia muitas outras casas com moradores peculiares, que povoaram a minha infância. Se você teve o prazer de viver em um bairro antigo-novo… feito de casas, certamente irá pousar em uma Rua 2 — ainda que tenha outro nome, como a rua onde nasci-cresci —, e se deliciar com lembranças saborosas de seus moradores.

E nesse jogo de casas pares e ímpares — proposto pelo autor — sobra vento, falta ar… e recordo-me dos precipícios de cesariny. Penso em ser nuvem, perder a forma e dissolver-me por cima dos telhados. Ser raiz nesse bairro e misturar-me a cada um desses personagens.

Chegar com um punhado de caixas, passar pela porta e dar pelos cômodos de uma casa-vazia. Ter dificuldade com o endereço, o número nos primeiros dias. E consciência de que sou estranha nesse cenário de casas altas e baixas, de formas conhecidas… como se tivessem sido pré-moldadas no lugar de onde vim.

Dou voltas e voltas na rua de cima, de baixo… e volto a esse traço — nada — reto… esbarro em personagens-personas, a bordo de suas vivências que posso espiar-aprender ao virar das páginas e concluir que é impossível sabê-las reais… ou inventadas.

São peças de um quebra cabeças… e todas se encaixam porque estão todas enlaçadas pelo autor, seu morador com vivências que se entrelaçam em encaixes impossíveis.

 


 

R U A    2
OBDULIO NUÑES ORTEGA

Caetano Lagrasta

caetano.jpg

“J. D. Salinger escreveu uma obra prima, O apanhador no campo de centeio, recomendando que os leitores que tivesse gostado do livro ligassem para o autor; depois passou os vinte anos seguintes sem atender o telefone”
John Updike

CAETANO LAGRASTA NETO de italianos, paulistano do Brás; ocupa a Cadeira Graciliano Ramos – Acadêmico da Faculdade de Direito da USP; Menção Honrosa do Prêmio Governador do Estado, 1967, com o livro de contos Abecedário (Ed. Scenarium, em 2016).

Corroteirista, ator e autor de comentário musical, em longas e curtas metragens; fotógrafo; O Fazedor, 2001; Livro de Horas, 2004 e Ópera Bufa, 2007, poemas, em edição do autor; 1968 e outras estórias, Le Calmon em 2013, contos.

Arriscou-se, sempre, a ideias jurídicas, também sobre a Família (a dele e a dos outros).
Durante estes anos, atendeu telefone.


Caetano Lagrasta é autor de ‘abecedário’
Para maiores informações, clique aqui

Emerson Braga

SONY DSC…nasceu em 12 de agosto de 1976, é brasileiro e natural de Fortaleza, no estado do Ceará. Nos primeiros anos de sua vida, teve problemas de aprendizado. Não conseguia ler ou escrever coisa alguma, o que se tornou motivo de muita infelicidade. Empenhou-se tanto na conquista de sua alfabetização que a palavra acabou por ganhar importante significação em sua vida. Adquirido o conhecimento, ainda aos sete anos de idade, escreveu seu primeiro conto: A Praia Ruim.
Cursou Letras na UECE (Universidade Estadual do Ceará) e hoje trabalha no Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado do Ceará, SINCOR/CE. Tem vários trabalhos literários publicados, inclusive sua primeira antologia de contos.

 


Emerson Braga é autor de ‘muiraquitã’
Para mais informações, clique aqui…

 

Palavra de Editor | Abecedário

Por Lunna Guedes

 

O alfabeto tem poderosas vinte e poucas letras, que  — somadas  — nos conduzem a um sem-fim de possibilidades… o próprio universo depende dessa soma que aprendemos em idade escolar, seja pelas mãos hábeis de um professor, ou de um estranho — que rouba para si o prazer de ver descortinar os véus que cobrem os olhos no momento em que, ainda somos ignorantes quanto aos símbolos, que o homem inventou para se comunicar…

O poeta Adonis diz, em seu poema: ‘ele pensa: as palavras — que com ele disseram o nome das árvores, das estrelas, dos amigos‘… porque, através das somas feitas em nossa memória de símbolos atribuídos, o nosso mundo é esse emaranhado de vogais e consoantes.

E o ‘abecedário’ de Caetano Lagrasta segue por esse caminho… somadas as consoantes e vogais, temos uma realidade particular: somas insólitas… feitas como se o autor tivesse seu momento criança para fazer traquinagens — articulando caretas e agitando as mãos em movimentos ondulares, típicos dos articulares  que, em seu canto de mundo, dão corda aos personagens… convertidos em ponteiros de um velho carrilhão, cabendo a nós, leitores… o degustar do som — que nos remete a segredos embalados dentro dos dias em transgressão e suas estranhas evoluções naturais.

E lá se vai qualquer hipótese de paz, porque o ‘abecedário’ de Caetano Lagrasta nos impõe inquietação e desassossego. E, pouco importa se a sua leitura avança na sequência por ele apontada… iniciada em A…  ou se inventamos uma leitura própria-inversa-desorientada.

Os meus contos começam por Borges… ali na insolente letra L e sua ligação direta com A… de Aleph… e C de cidade, que se inventa e reinventa… porque o poeta argentino também sabe que nós erramos o traço e acertamos na emoção, tal qual Caetano que — ao que tudo indica —, bebeu dessa mesma fonte.


 

Caetano Lagrasta, em ‘abecedário
— Scenarium livros artesanais — 2016


 

Abecedário | Caetano Lagrasta

R$ 35

 

 


Abecedário, livro de contos em que o autor, Caetano Lagrasta, descreve a mesquinha realidade diária de homens e mulheres esmagados pela falta de perspectiva. Escrito nos anos 60, cinquenta anos depois a mesma cidade, as mesmas máquinas e as mesmas repartições públicas ainda pesam sobre os personagens, com o incômodo da alma que se agiganta dentro de roupas e sapatos herdados dos irmãos mais velhos.

No Abecedário, amanhã é sempre segunda-feira.

 

08 – Nem sempre a lápis | três contos de Adriana Aneli

nighthawks

 

RECEBEU O PRIMEIRO AVISO no fim da tarde. Dirigia com pressa. Entre ansiedade e frustração, o sol amornava o carro e o pensamento pesava em suas pálpebras.
Acordou com buzina e farol alto. Na contramão, por um triz do fim da estrada. Coração aos pulos, reengatou a marcha.
Indiferente ao casal à sua frente, escolheu o balcão da lanchonete: “Seu filho nasceu. Venha com calma” apitou a mensagem em seu celular.

Brindou por duas vidas com seu pingado.

 


 

deus da carnificina

 

QUASE COMPLETAVA UM ANO que, ao final do expediente, ele recolhia o lixo do oitavo cartório. Quando ele se aproximava de sua mesa, ela gentilmente se abaixava. Entregava a ele a lixeira, um sorriso no rosto e um delicado até amanhã.
Ela não sabia seu nome, mas ele conhecia a marca do lenço umedecido com o qual ela limpava as mãos, a barrinha de cereais de sua preferência e a marca do adoçante que usava em seu café.
Devotava-se a estudar seu lixo, na esperança de quem sabe um dia…
Quando entrou, ela estava cercada pelos colegas, recebendo alegres cumprimentos. Com a timidez ardendo em seu rosto, resolveu que já era hora.
Tomou coragem, pediu licença e penetrou a roda. Foi em sua direção.
Ela, sempre gentil, mais uma vez se abaixou e depositou em suas mãos a lixeira transbordante da festa de aniversário.

 


 

o sal da terra

 

ARCO-ÍRIS EM PLENA SEGUNDA-FEIRA. Mal podia esperar. Namoravam há um ano, tudo combinado, a primeira comemoração, eles se encontrariam ao final do dia, no mesmo cinema em que se conheceram. Divertida, linda, perfumada desceu a escadaria do prédio… Não, mensagem nova: espero você no café em frente ao seu trabalho.
Correu até ele. Chegou por trás, já beijando de leve sua nuca, o pescoço. Abraço apertadinho, feliz, feliz… te amo tanto!, deslizou o presente à sua frente. Ele nem a olhou, desculpe, recusou o pacote. Ela ainda ensaiava um sorriso, quando o golpe veio fatal… então ele levantou e saiu da sua vida.
Ela tomou um café. Salgado e frio.

 


Adriana Aneli é autora do livro de contos ‘Amor expresso’  — série exemplos de contos da Scenarium — ano 2015.

amor expresso | adriana aneli

R$ 35

 


“Se o tema é café, o gosto é amargo… Ou adoçado artificialmente? É quente e forte: cativante? Cafezinhos para unir, distrair e consolar… Ou acordar, revigorar – sempre correndo o risco de perder de vez o sono? Amor expresso convida para uma leitura rápida, cada dia um miniconto (ou muitos de uma vez, para os viciados): uma xícara, um conto ou a prazerosa e demorada pausa para o “café com arte” que Cristina Arruda preparou em ilustrações: traços que carregam um mundo dentro de si.
Cada narrativa é um instantâneo de amor ou de ódio, de humor ou melancolia, elaborada com grãos de música, poesia e cinema, como revela a “cafégrafia” ao final do livro.
Histórias que estão ali desde sempre, mas que nem sempre são notadas. Flagrantes de quem somos, poderíamos ou ainda queremos ser neste mundo de obrigações pré-fabricadas, em que mal temos tempo para um café”.

 

CHAMADA ABERTA | SÉRIE EXEMPLOS…

Nosso Scenarium

A Scenarium livros artesanais prepara seu primeiro projeto literário… uma série de 04 livros de contos denominados: “exemplos”.

 


 

A publicação terá as seguintes características:

• miolo em papel reciclato
• capa em papel couchê areia
• costura oriental com fita
• serão trinta exemplares numerados

O lançamento acontecerá no mês de março… em São Paulo.


 

Interessados deverão enviar 20 (vinte) contos para o e-mail:
scenariumplural@gmail.com