Oitavo Capítulo | Agosto

 

Agosto começa com mudanças… há nuvens no céu {promessas de chuva} mas continua quente — embora seja inverno… as temperaturas da pele e da alma sobem, porque estamos na Paulicéia totalmente Desvairada.

A minha São Paulo é insana… enlouquecida e desfila diante de meus olhos como os livros de Mário — com seus versos a regurgitar uma cidade que não atravessa o real: pelo contrário, vai para dentro… trafega nas veias do poeta-homem-de-andrade e desfila ilusões várias aos nossos olhos.

Nem todos sabem apreciar, mas a vida — aproveitando os versos de Cecília — a vida só é possível se reinventada…

E é isso que pretendemos em agosto.
Temos nossas coisas a anunciar… mas, vamos com calma, de maneira diária, para que possamos aproveitar todas as estações da alma, do corpo e, também, do ano…

Que agosto tenha seus sabores e, sobretudo, que você prove cada um deles. 

O convite está feito… nosso banquete será servido no dia 26 de agosto, às 16 horas — falta apenas indicar o ‘scenarium‘… mas você já pode reservar a data!

 


Abraços no Plural
Lunna & Marco

 

 

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Palavra de Editor | Abecedário

Por Lunna Guedes
Editora Scenarium


 


O alfabeto tem poderosas vinte e poucas letras, que  — somadas  — nos conduzem a um sem-fim de possibilidades… o próprio universo depende dessa soma que aprendemos em idade escolar, seja pelas mãos hábeis de um professor, ou de um estranho — que rouba para si o prazer de ver descortinar os véus que cobrem os olhos no momento em que, ainda somos ignorantes quanto aos símbolos, que o homem inventou para se comunicar…

O poeta Adonis diz, em seu poema: ‘ele pensa: as palavras — que com ele disseram o nome das árvores, das estrelas, dos amigos‘… porque, através das somas feitas em nossa memória de símbolos atribuídos, o nosso mundo é esse emaranhado de vogais e consoantes.

E o ‘abecedário’ de Caetano Lagrasta segue por esse caminho… somadas as consoantes e vogais, temos uma realidade particular: somas insólitas… feitas como se o autor tivesse seu momento criança para fazer traquinagens — articulando caretas e agitando as mãos em movimentos ondulares, típicos dos articulares  que, em seu canto de mundo, dão corda aos personagens… convertidos em ponteiros de um velho carrilhão, cabendo a nós, leitores… o degustar do som — que nos remete a segredos embalados dentro dos dias em transgressão e suas estranhas evoluções naturais.

E lá se vai qualquer hipótese de paz, porque o ‘abecedário’ de Caetano Lagrasta nos impõe inquietação e desassossego. E, pouco importa se a sua leitura avança na sequência por ele apontada… iniciada em A…  ou se inventamos uma leitura própria-inversa-desorientada.

Os meus contos começam por Borges… ali na insolente letra L e sua ligação direta com A… de Aleph… e C de cidade, que se inventa e reinventa… porque o poeta argentino também sabe que nós erramos o traço e acertamos na emoção, tal qual Caetano que — ao que tudo indica —, bebeu dessa mesma fonte.


 

Caetano Lagrasta, em ‘abecedário
— Scenarium livros artesanais — 2016