As histórias que não escrevi em 2017

Por Emerson Braga


O ano terminou. Sim. Terminou. Inclusive, Já é possível conferir no olhar das pessoas aquele mesmo brilho de esperança meio pueril, meio místico, de que as coisas mudarão para melhor no ano vindouro. Não chego a ser tão ingênuo. Mantenho por hábito o desejo de que elas, as coisas, sejam ao menos diferentes. Talvez por isso, ao invés de esperar pelas grandes mudanças, eu prefira operar as pequenas, a maioria delas extremamente sutis, para que eu sinta que a vida permanece em constante transformação. A paralisia das coisas, apesar da falsa sensação de calmaria que nos proporciona, é uma armadilha perigosa. Quando permitimos que nosso mundo pare de mudar, deixamos de ser um pintor dinâmico e nos tornamos uma obra de arte estática, emoldurada em uma parede fria e escura.

Passei todo o ano de 2017 pensando em parar de escrever. Apenas alguns amigos próximos, meus irmãos e meus pais souberam de minha desgostosa decisão. Uns disseram que eu desenvolvia um quadro depressivo, outros apostaram em frustração, alguns sugeriram que eu estava brincando. Mas eu falava sério.

Tenho um profundo respeito e veneração pela arte da literatura. Se o ateísmo me permitisse pensar o ato de escrever como uma experiência metafísica, certamente eu traria em meu cerne a Literatura como uma deusa:

Ó, grande desencadeadora de existências nunca antes vividas! Ó, peregrina etérea que nos conduz a nações jamais exploradas!

Talvez se deva a essa devoção de aprendiz e acólito todos os rituais que orbitam meu ato de escrever. Um desses ritos tem muito a ver com a questão do tempo: Sei quando começarei a escrever, mas não me imponho um determinado horário para encerrar a atividade. Quando a mocidade permitia que eu praticasse o que chamam por aí de ócio, eu passava dias inteiros trancado em meu quarto, escrevendo como se temesse que a inspiração me abandonasse a qualquer momento. E talvez o fizesse, caso eu a negligenciasse para cuidar dessas outras coisas, aquelas que chamam de “mais importantes”.

2017 se tornou o ano em que fui cobrado por muitos setores de minha vida para que eu me dedicasse a essas coisas importantes. O tempo para a prática da escrita cedeu lugar aos estudos, ao trabalho, à família, aos hospitais, às instituições financeiras. À noite, exausto e com a mente ocupada por milhares dessas coisas tão mais importantes do que aquela que mantém meu espírito jovem e inquieto, eu só pensava em descansar.

Sugeriram que eu escrevesse apenas nas horas vagas, nos intervalos, nos fins de semana. Não sei escrever assim. Minha pena não é domesticada, não bate ponto, não cumpre horários. E essa falta de tempo para escrever me fez pensar se seria certo continuar produzindo contos, crônicas e romances, mesmo sabendo que a qualidade de meus trabalhos poderia ser afetada devido à sensação de claustrofobia imposta pelo reloginho sádico que me encara do canto inferior direito do notebook de meu namorado.

As histórias não se importam com o quanto ando sobrecarregado. Me perseguem durante minhas viagens de ônibus, me interpelam na fila do supermercado, me sinalizam quando estou atendendo um cliente ou tirando a pressão arterial de minha mãe. São histórias impacientes, pois, como toda criatura na iminência de existir, elas também têm pressa em nascer.

Concluí, depois de muita reflexão, que parar de escrever não seria uma opção viável, principalmente porque a literatura é uma engrenagem importante para o bom funcionamento do ser humano que sou. Assim, resolvi encarar 2017 não como um ano de gravidezes interrompidas, mas adiadas. Quem sabe as histórias possam nascer em 2018, ou um pouco mais adiante. Não sei. Talvez escrever de maneira fracionada deixe de ser uma possibilidade tão desconfortável. Afinal, sou uma criatura em constante mutação, revolução e movimento. Posso criar novas rotinas de escrita. Não posso?

As histórias que não escrevi em 2017 se transformaram em fluido que se mistura à ressaca de minhas ondas cerebrais. Narrativas inteiras se insinuam nas pontas de meus dedos ávidos pelo teclado. É possível que o que me falte, na verdade, não seja tempo, mas sabedoria para administrá-lo. E o mais louco é que, para que eu conquiste essa coisa gasosa chamada sabedoria, precisarei me valer justamente do tempo que agora me faz falta.

Dar tempo ao tempo. Tive de quase desistir de ser escritor para entender o real significado dessa máxima. E, se encontrei tempo para escrever este texto, é porque talvez as mudanças já estejam se operando.

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Feliz Ano Velho!

Por Mariana Gouveia


Vi os dias que passaram através de janelas. Ora, pequenas; ora com cortinas azuis. Às vezes, com flores no parapeito e magnólias em vasinhos brancos. Em algumas casas, esvoaçavam as flores de laranjeiras e os pés de maracujás servindo de pousos para as borboletas.

Na rua de cima havia um herói… ninguém falou dele nos jornais, nenhuma entrevista  foi concedida nas rádios — o que eu achava uma pena. Poucas pessoas sabiam que ele era desses homens que salvara uma borboleta da boca do gato da vizinha. Um pássaro do estilingue dos meninos da rua de baixo e tratara de um ninho, que no último vendaval quase ia enxurrada abaixo com os ovinhos ainda dentro. Isso foi em Maio — acho — porque em Junho, a leveza veio nos corredores através de um nascimento. Colhi ternura no olho do pai. Um sábio viera no improviso das palavras declamar a cura com um sopro de alma.

A imensidão de uma nudez — de alma — me deixou fascinada pela natureza. Era a sabedoria de mão estendida tentando ler a sorte. Desvendar o decanato e revelar no mapa astral que a força da Super Lua pode determinar em sua — minha — vida o que você desejar. O moço do realejo disse o que ia no bilhete sem nem ler o que estava escrito. Inventou a frase de uma canção.

Agosto trouxe a estação multiplicada no vento. A fumaça era quase parte da paisagem e o gesto da árvore maior me deu asa para voarmos como pássaros e descobrir que a partida é o mesmo que ir e ficar e que as manhãs serenas ganharam sabor especial na voz dela.

A fome de flor veio na primavera. Os olhos de espiar cabiam na janela azul. Os corredores perderam a cor e a moça de branco chorou dias seguidos. O diagnóstico era o contrário da palavra dela. E a fé, escritas nos livros antigos incontestáveis no amor. A ciência descobriu algo diferente que foi divulgado no jornal da noite e agora já nem consigo me lembrar o que é.

Uma menina trazia a felicidade no nome e a liberdade foi desenhada nos muros em um movimento que chamei de voo. Foi lindo a certeza de que os dias podiam ser feitos de matéria simples, como uma xícara de café e a compaixão compartilhada no pão, nas esquinas.

O moço da reciclagem deixou mais limpas as ruas e na rua de cima, as crianças brincavam como antigamente. E lá, novembro voou feito asa de pássaro. E os dias parecem um livro que vai chegando ao final. As coisas vão se encaixando feito peça de quebra cabeça.  E as personagens ganham em meus olhos vida rua afora.

No pulso, as marcas de horas que o sangue filtrou e de fato, a doação ganhou sensibilidade na alma. É amanhã. Uma cortina nova que se abre… É amanhã um outro ano que anuncia que todos os desafios foram cumpridos e toda sorte do mundo desejada.

A rua de cima é essa árvore que espalha essência entre um hoje e o amanhã. E o que é antigo reascende a ternura de que aprendi a domar o instinto e seguir em frente, sem medo de virar a esquina e dar de cara com um Feliz Ano Velho!

 

Feliz Ano Velho!

Por Maria Florêncio


 

Vamos celebrar a calmaria insana… como alguém a propagar a agonia no vácuo. Alimentar em nós… a besta humana que ri à revelia dos dias sulcados na face.

Nos convém maltratar os próprios calcanhares nesses descaminhos — atravessados na garganta. Já nascemos expelidos das entranhas, oras! Quaisquer vestes aqui fora, encruecem-nos de cinza — cólera.

Orquestremos nossas horas enforcadas na ampulheta, como a morte… a dissimular nossas migalhas insólitas. Vimos ontem… a mesma cama de amanhã… ao nos embriagar em doses massivas de realidade…

Há espelhos desconexos pelos cantos das alas e eles nos sorriem asperezas… vestem reflexos pálidos de algodão… alinhavam as pupilas crescentes e turvas e, nos entorpecem a alma por fora, sob as máscaras.

Eles têm punhos em riste… e vão celebrar o desdém mais uma vez…
Eles…

Um brinde!

Vida normal

Por Obdulio Nuñes Ortega


 

Dia de folga de um dezembro corrido. Passaram muito rápido todos os meses de 2017. Vou ao Correio, passo no supermercado, me desloco para uma visita técnica, levo um aparelho para o conserto.

Escritor em busca de temas que sou… por onde passo encontro personagens. O clima de final de ano de pinheiros e decorações típicas de tempo frio, se faz presente a cada quadra que caminho. É o assunto principal das pessoas nos ônibus e trens de Metrô.

No Correio, tenho que devolver um produto que veio com defeito. Pelos corredores e gôndolas do supermercado, cenas cotidianas igualmente explicam nossa triste realidade. Uma menina sentada no carrinho de compras, recebe de seu irmão um saco de salgadinhos. O menino, com idade suficiente para saber que fazia algo indevido abre com o cuidado necessário para não ser percebido. Um ato de amor… escuso. A mãe, ao lado, finge que não vê.

A caminho da reunião, uma mulher conversa ao celular. Explica ao interlocutor que não poderá encontrá-lo naquele dia porque “o seu amigo está desconfiadíssimo!”. Quem caça, às vezes, veste roupas claras, quase diáfanas.

Depois da visita técnica, me desloco à região da Santa Efigênia. Visito algumas lojas, enquanto espero o reparo do aparelho. Em uma delas, acredito reconhecer o senhor por detrás do balcão… um cantor de uma banda de sucesso anos antes — o próprio… levantou a cabeça, a olhar para um ponto indefinível, talvez o passado e exibiu um sorriso enigmático. Soube que ganhou muito dinheiro, bateu muita cabeça, perdeu prestígio, deixou de ter visibilidade e voltou a trabalhar na loja do Seu Gaspar — onde teve o primeiro emprego. Ele ainda canta nos finais de semana, em um barzinho — voz e violão, público cativo, que sabe as letras de suas antigas canções. Percebo, no entanto, que não tem mais a ilusão do sucesso. O cumprimento e saio cantarolando uma de suas músicas.

A pé, vou encontrar minhas filhas e mulher, no bairro de Santa Cecília. Caminho pelas ruas do Centrão, pelo qual tenho paixão de viajante. A arquitetura variada, em épocas e formas, é como se fosse um palimpsesto em alto relevo. Presencio o entrechoque de identidades diversas. A mudança de paisagem humana é drástica, de um lugar para outro. Parece que há sempre um novo ângulo a ser explorado, personagens a serem encontradas, histórias a serem contadas.

Ao chegar ao apartamento de minha filha, levo para passear o cachorro de sua amiga que vez ou outra fica hospedado por lá. Toddy é carinhoso e alegre.  Por algum motivo, lembro de Desinquieto, nome dado por um morador de rua do Centrão ao companheiro de jornada. Ele o carregava no carrinho e a pessoa de quatro patas agia como se fosse um marajá em sua liteira. A diferença entre os dois era total…  tanto em conformação física quanto condição social. Porém, o olhar dos dois era a de seres que se sabiam amados, sendo amáveis. Toddy faz amizade por onde passa. Exceto por uma enciumada cadelinha de andar arrogante que quis lhe atacar.

Compro bolo de cenoura, tomo o chá da tarde com a família e percebo que tenho cumprido o mandamento pessoal de viver um dia de cada vez. Vivo o primeiro terço de um dezembro de um feliz ano velho, que foi intenso, pleno de acontecimentos, grandes e pequenos, que trouxeram a mim a certeza que a vida segue seus dramas, seus prazeres e dores, desafetos e amores independentemente das efemérides que promulguemos.

Em meu passeio com o Toddy, ouvi o trecho da conversa entre duas mulheres. Uma delas diz que odiava àquela época do ano e que não via a hora de janeiro chegar. Eu agradeço se puder viver apenas o próximo dia.

Feliz Ano Velho

Por Maria Vitoria


Estava eu ali, beijando os bocais tristonhos de uma inverdade quase desfalida; quando me pus de pé ao embranquecer dos pentecostes universais traidores de minha própria sorte.

Busquei as drogas como um refúgio prático à vida miserável pela qual meu sorriso não vingava, buscando sempre uma maneira eloquente de findar um coração esburacado pelas guerras que a rotina me calçava. Entretanto, os clamores permutáveis de horas postas de joelhos semi-rachados, nada me traziam como glórias e eu estagnava ali… Contando as crostas de um irrisório despretérito.

Nada… do que eu fosse anulava a utopia pela qual eu me transpassei. Tentei burlar minhas insólitas essências, de uma maneira que possível fosse de reviver aquilo que há tempos já havida me findado. Outra vez, nada… do que eu fui, ou tudo que o termo “nós” fostes… Mais uma vez, tudo o que o ano me fez comer eram sobras de um peru com gosto de dezembro inacabado.

Pensando aqui comigo, cerca de quase 365 dias atrás, lá estava eu a caçar fantasmas de passados inexistentes, buscando extrair o óleo de uma infância que nunca me pertenceu. Marcos, esse era o nome do homem… a figura de gênero biológico masculino pela qual meus sonhos freudianos despertaram-me no dia da despedida de um ano velho-semi-quase-novo. Eu, quase vinte e seis anos. Um ano e dois meses de terapia. Onze anos de depressão continua. Filha bastarda da solidão. Puta carrasca das drogas.

Eu…

Poços insalubres, por poços insalubres se fez: 2017. Um declive, um suicídio. Parafusos e placas metálicas respaldando um tornozelo. À volta aos mortos que já vieram. Paredes brancas com cicatrizes de mariposa. Coleção de garrafas de cervejas importadas. Gatos dependurados em pés quebrados. Banhos com saco plástico em cima de cadeiras para deficientes defecar. Era isso o que eu era. Isso sim resume o pouco do que por um ano fui.

Engraçado como o sol pode te deixar emocionada quando suas pernas já não andam por conta própria e tudo o que você tem são quilos acumulados em cima de uma cama de casal solitária demais para fazer par.

Um ano eles me diziam… e eu seguia caminhando passo a passo como se quisesse alcançar a porra do maldito deus que riu de mim nas minhas costas.

Um ano eles me diziam… e eu seguia caminhando lado a lado com a porra do diabo em cima de meus ombros largos e basicamente fortes.

Um ano eles me diziam… e eu seguia caminhando como se a porra da Ave Maria fosse apenas uma mulher que sangra ralo a baixo em dias de sol mesclado com chuva.

Um ano eles me diziam… e eu seguia apenas caminhando após imersão de baldes com gelo e água quente.

Se eu falar sobre sonhos e objetivos nestas trepidas linhas, grite: MENTIROSA.
Se eu falar sobre desejos e foco nestas trepidas linhas, grite: MENTIROSA.
Agora se eu disser, maldito ano velho, grite: FELICIDADES.

Sabe, quando se começa o primeiro dia do ano desejando a morte enquanto lágrimas são dependuradas pelo pescoço, o que se pode esperar de um ano com final 7?

Uns tem crenças cabalísticas… outros representam o dia 7 como dias de azar. Eu mesma, cago e me permaneço suja com relação aos números, uma vez que de 0 a 10 todas as estatísticas me levam diretamente a números impares.

Mas, não posso negar a vós o semblante de algo tênue e morno. Caso eu diga apenas: “anos de desgraça”, minto para ti de forma debochada. Claro, nem só de dor e rancores o ano passou beijando as costelas de minha desejosa morte. Pouco a pouco, quase nada, um fato aqui, outra migalha ali, um texto aqui, um livro ali, um namoro aqui, uma fotografia ali, uma espiritualidade aqui, um conhecimento ali, e etc… etc… etc… Basta.

O que me fica agora é: “Adeus ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer?”
Dane-se: “Feliz ano velho seu merda”.

Com amor,
Estranhamente Noel.

Promessas ao ano que (quase) passou

PorAdriana Elisa Bozzetto


 

É o primeiro dia do último mês de 2017 e as tradicionais promessas feitas no início do ano não se cumpriram. Dezembro parece ser um mês ideal para pensar em novas promessas para o novo começo de ano que, para variar, não serão cumpridas. Pensando nisso, resolvi inovar nessa transição de ano. Ao invés de comemorar o ano novo, vou celebrar o que resta do ano velho e fazer promessas para dezembro.

Pego uma sidra barata que comprei na promoção do mercado, abro sozinha em casa e, para cada onda imaginária que eu pulo dentro da minha sacada, faço uma promessa de ano velho:

Primeira onda, prometo usar dezembro para tirar todo o descanso emocional que não tirei o ano inteiro. 2017 foi um ano pesado para muitas pessoas ao meu redor e para mim não foi diferente. Preciso de uma pausa.

Segunda onda, brinco que este mês vou fazer um retiro espiritual de corpo. Desde o fim de 2016 carrego muitas energias comigo. Parei de priorizar minhas próprias vontades para dar atenção às necessidades de outras pessoas. Não me toquei. Me permiti ser tocada quando não queria e aguentei a crueldade de quem só pensou no próprio prazer e se recusou a encostar em mim. Preciso me purificar e voltar à sintonia com meu corpo.

Terceira onda, decido que deste mês não passa: vou investir no ovo de obsidiana negra e começar a ovoterapia íntima. Para fazer meu retiro dar certo, preciso adotar um método de limpeza e de resgate à minha própria feminilidade. Acredito no potencial dos minerais para isso.

Quarta onda, aceitar que pessoas vêm e vão e nem todas fazem questão de ficar, independente do que eu queira, e que elas, às vezes, vão no susto: só abandonam, sem maiores explicações. E aceitar também que eu não sou obrigada a ficar quando alguém me faz mal, por mais que eu goste da pessoa e por mais que possa doer me afastar. Cuidando sempre para respeitar e não sumir sem avisos, mas me livrando do peso de sentir que preciso me manter em algo que me machuca.

Quinta onda, prometo não me deixar endurecer. Tenho que aceitar que não há forma certa ou errada de sentir, que cada um tem seu tempo e intensidade, assim como eu. Não preciso mudar apenas porque não houve compatibilidade com quem eu me envolvi, assim como não preciso me tornar o que me feriu. Para isso, preciso finalmente me aceitar como sou.

Sexta onda, não parar as coisas que me deixam feliz só porque estou num período ruim. Vou dançar, escrever, cantar e ficar perto de quem eu quero e me quer por perto. Não vou deixar a falta de vontade de viver me vencer. Posso ser mais forte do que ela!

Sétima onda, prometo me desintoxicar… de sentimentos ruins, de coisas que me sugam,  pesam em mim e tentam me controlar. Acho que de todas, essa será a mais difícil de cumprir. Mas como seguir em frente sem essa desintoxicação? A crise de abstinência com certeza vai ser forte, porque são toxinas que viciam e fazem parecer que são intrínsecas à mim e preciso me livrar delas antes que elas me destruam por completo. Chorar será parte do processo.

Puladas as ondas, termino a sidra. As coisas ao meu redor estão rodando um pouco, mas deve ser normal. Do notebook coloco um vídeo de fogos de artifício para terminar meu brinde comigo mesma. Sete promessas, um mês. Todas anotadas mentalmente e com o objetivo de serem cumpridas até a virada de ano. Feliz ano velho para mim!