Entrevista | Adriana Elisa Bozzetto

Cada dia parece
batalha
entre me permitir viver
ou ficar no chão frio
abatida.
Sono excessivo

 


 

Adriana é menina de olhar para dentro… de palavras em hélice e sentimentos em vórtice. Todos os caminhos percorridos em vida estão em seus olhos-pele. Ela narra com a simplicidade comum de seus gestos… as coisas vividas em todos os tempos possíveis, com a mesma intensidade que fala dos sonhos impossíveis.

Quando falamos de seu projeto-proposta, a Poesia veio em um desses cadernos-diários… coisa de mulher-menina-clandestina, que toma nota de todas as coisas e guarda na bolsa, de maneira a proteger o que lhe é mais caro… coisa de escritora que não vive sem notas.

Assim que pousou os olhos nas perguntas que preparei para esse dialogo, ela disse: “vou tomar uma boa dose de nada pra me Inspirar nessas respostas“. E eu preparei café e esperei…

Sobre ‘verbo: proibido’: 

Meu próprio livro é um desabafo de silêncios contínuos, que finalmente encontraram um espaço de grito.

Autora do livro verbo: proibido

— Com quantas palavras se faz uma poesia?
Com quantas forem necessárias para se transmitir as sensações desejadas. Às vezes, para uma poesia se formar é necessário mil palavras, às vezes nenhuma: apenas o silêncio ruidoso do papel.

Quais poetas arrastou para dentro de você e deixou lá de castigo?
De castigo permanente em mim vivem Mario Benedetti, Rupi Kaur e Carlos Drummond de Andrade. Outros poetas são arrastados dentro de mim conforme o humor e a necessidade.

— Você estranha-se ou entranha-se?
Estranho-me toda vez que que me entranho.

Quantos goles de nada você bebe diariamente?
Quantos forem possíveis beber debaixo do cobertor.

Já se engasgou antes de deitar fora os seus versos?
Não sei se já me engasguei, mas já chorei, gritei e blasfemei!

Perder um poema ou a própria alma?
Meus poemas são minha própria alma.

A quem confia teus versos?
Confio aos leitores, que leem e transformam meus versos em mundos que jamais imaginei.

 

 

VERBO: proibido
ADRIANA ELISA BOZZETTO

 


Lançamento de Verbo: proibido  — 02 | 06 | 18  — 18 horas
— 
Starbucks Paraíso  —
Rua Des. Eliseu Guilherme, 200
Paraíso | São Paulo


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Palavra do Editor | Ylie-Samê — estiletes para cortar brumas…

Por Lunna Guedes


 

explodiu-se-me
em cores. 

todo o resto
calou-se em rabisco,
tentativa de cinza.

 


 

 


 

Quando recebi o conjunto poético de Ylie-Samê — estiletes para cortar brumas, para publicação… respirei fundo, fechei os olhos e me preparei para caminhar a cidade de São Paulo — não a que conheço, que chega pela janela do carro, que eu chamo pelo aplicativo. Tampouco a do ônibus elétrico, que me conduz por mil hemisférios… outra.

A poesia, para mim, é qualquer coisa líquida, e escorre… é como ter sede e beber um copo de água num gole só. É preciso saciar a carência momentânea e sentir aquela falsa calma a bordo das veias, músculos e nervos.

Claudinei Vieira e seu Yurei, Caberê fizeram isso comigo, assim que pousei o olhar em seu livro… a galope. Virei página por página para saber o lugar do poeta — sua cidade. Ele me atravessou o corpo, a alma. Rasgou minhas memórias. E me apresentou outra São Paulo… me tirou daquele lugarzinho comum no qual nos colocamos, ao deslizar sempre pelos mesmos lugares.

Claudinei é um poeta urbano… metade humano, metade cidadão. Ele atravessa a cidade com seus passos, percebe as ruas cheias de restos humanos… e nos mostra o melhor e o pior de uma Metrópole contraditória.

Eu o li uma… duas… três vezes — novamente a galope — e comecei ali mesmo a pensar as páginas do livro. Queria o movimento urbano… páginas como calçadas… capa como uma das muitas vitrines que São Paulo deita em nossos olhos. Imensidão na pele e, nos olhos, um labirinto.

 


YLIÊ-SAMÊ
Claudinei Vieira


 

Palavra do Editor | A REALidade das coisas…

Por Lunna Guedes
Editora Scenarium


 

Sou o tipo de Editora que leva os textos para andar… pelos cômodos da casa, as ruas e calçadas da cidade porque preciso dar passos com o texto em mãos-mente-memória-cuore para sentir o Autor e seus movimentos. A escrita é movimento das palavras e seus muitos sons, os lugares que pisa e os corpos que habita.

A maioria dos textos-crônicas que compõe essa copilação denominada ‘REALidade’ — uma obvia brincadeira do Autor e sua Editora com a questão da vida-mundo-persona — vieram do Facebook, onde “dom’ Obdulio arremessa vez ou outra os seus pensamentos-ações-olhares — para o meu completo e total desgosto.

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Palavra do Editor | Alameda das Sombras…

Por Lunna Guedes
Editora Scenarium

 


“mas eu não me importava e seguíamos juntos numa boa
— sem frescuras, sem aporrinhações, andávamos saltitantes
um em volta do outro, como novos amigos apaixonados.”
on the road

 


 

Quando Marcelo começou a me enviar o material para o seu novo livro, estava a ler pela milionésima vez ‘on the road’… e não podia imaginar o quão significativo seria esse ‘pequeno detalhe’ — uma ‘espécie de trilha sonora’ na arquitetura de ‘alameda das sombras’… que veio para minhas mãos com outro rótulo — descartado após meia hora de conversa com o Poeta.

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Palavra de Editor | Detalhes Intimistas

Por Lunna Guedes
Editora Scenarium

 


 

É preciso dizer que o universo dos livros — longe das estantes — é fascinante. Antes de existir em seu formato ‘tradicional’, de capas e páginas… o livro em si é apenas um emaranhado de folhas, com milhares de palavras. Antes de alcançar a estante, o livro passa pelo processo de criação — onde pode não ter tempo de ser mais que um mero rascunho…

Escreve-se muito, o tempo todo: enquanto se pisa calçadas, atravessa ruas… toma-se um café no meio da tarde, come-se uma generosa fatia de bolo. O pensamento não para… mas, nem sempre se tem tempo para espantar as sombras com o martelar das teclas do computador.

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