Palavra do Editor | S.e.t.e L.u.a.s

Por Lunna Guedes


 

Eu nunca sei como as coisas acontecem em mim… sei que ganham forma no decorrer do dias-horas — aos poucos… em pequenos punhados de tudo, em poucos goles de nada. Fico a espiar a parede e suas ranhuras, a pilha de livros por ler e a xícara vazia no canto da mesa. Em meio a tudo isso, há o branco da tela do Word a chamar por mim com seu cursor a piscar: escreva-me! — convite que eu nem sempre estou disposta a aceitar porque sou uma ávida colecionadora de desaforos.

De repente — como um estalo-trovão — acontecem palavras dentro da pele-mente… e eu escrevo no ar. Um sorriso ardiloso-ligeiro escorre pelos lábios e o olhar se perde em distâncias incalculáveis.

Dentro de mim tudo faz sentido.
Antevejo tudo e nada… em somas impossíveis.

Com Sete luas foi exatamente assim. Estava quieta… a observar as minhas paisagens favoritas quando vi a lua emergir imensa-cheia-poderosa no negro céu. Pensei — quase que imediatamente —, no poema de Cecília Meireles: “tenho fases como a lua, fases de andar escondida, fases de ir para a rua”.

Eu enxergo as fases lunares como ciclos improváveis… que se dependem. A Lua é nova por um curto período de tempo… e cresce até alcançar a fase cheia. Ao atingir o seu apogeu — esvazia-se gradativamente até minguar… nada mais restar e ser apenas Lua — sem brilho-opaca-vazia. A mais intrigante-instigante-e-ignorada fase: negra-escura…

Há quem estabeleça paralelos entre: nascer-crescer-reproduzir-envelhecer-e-morrer.
São processos unos, que cada um preenche com silogismos particulares. Algarismos, que nem sempre podem ser medidos — somados tampouco.

Eu considero que nós mulheres, somos a própria Lua… com ciclos e fases que começam e terminam e recomeçam — imprecisos e não-absolutos.

Sete Luas foi pensado a partir dessa premissa… sete mulheres-poetas a conceber-Ser enquanto fases-ciclos… de vida-morte-arte. Cada qual a partir de suas vivências múltiplas, orientadas por um Norte que é o olhar no espelho… essa fina lâmina lunar onde reconhecemos rastros-restos-retalhos do que somos — ou não!

 


 

Aden Leonardo |  Adriana Aneli |  Adriana Elisa Bozzetto |
Ingrid Morandian |  Mariana Gouveia |  Nic Cardeal  | Rebecca Navarro

Tiragem única de 15 exemplares
Pedidos: scenariumplural@gmail.com


 

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Virginia Finzetto

Autora

Escolhida entre as múltiplas que lhe habitam, atrás de seu par de olhos escuros, surge a humorista de ocasião nas redes sociais. Essa promete às demais um rodízio, até que todas as outras possam também representar o seu núcleo de incertezas. Hoje, desconfiada que as palavras não pertençam a nenhuma delas, ela se acha apenas uma garota de vários recados. Dos papeis que já representou, sendo o de jornalista o mais frequente, assina todos eles com seu nome próprio sem arrependimentos.



Virginia Finzetto é autora do livro de poesias vi e/ou vi…

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PALAVRA DO EDITOR | Verbo: proibido

Por Lunna Guedes


 

adriana elisa bozzetto
Autora do livro verbo: proibido

 


 

Cair na primeira pessoa é pior que a queda voluntária de um pássaro, que despenca do azul.Sem saber piso… apenas mergulha inconsciente do pouso e conta com o sopro do vento a favor de suas asas para um plainar seguro no infinito.

A queda de um corpo, no entanto, é vertigem Líquida… resultado da desorientação que o acomete. Uma questão de piso… os pés não tocam o chão, não deixam rastro-marca-lastro. Evapora no passo seguinte: o lugar, o chão, a realidade. É a consequência da degeneração dos sentidos, que acontece primeiro-antes e nos faz pássaro incapaz do vôo.

Diante de cada verso escrito nesse conjunto de folhas amarradas por fitas azuis… acontece uma espécie de milagre dentro de uma esfera azul de tinta — uma queixa no imperativo de vos falar um: verbo proibido.

Adriana Bozzetto confessa ‘o meu corpo cai no vácuo’ das emoções-sensações… cai e não morre, mas não se desfaz de todos os ontens. E, ao renascer, rasga futuros, amassa o tempo presente e esmigalha o que é reflexo. Suas linhas são um olhar cúmplice, coisas mudas em estado de vento, o que fica das vozes que acumulamos dos dias que nem sempre vivemos-levamos-somos.

De quantos personagens somos feitos?

 


Verbo: proibido
Adriana Elisa Bozzetto

 

Ylie-Samê — estiletes para cortar brumas  | Claudinei Vieira

 

R$ 30

 

 


…se emaranha nas palavras, se enrosca nas palavras, se perde. E gosta de , de vez em quando, se perder. Faz sentido ao termo ‘poeta’ se deslumbrar com as perdas, com as ausências, com os

ecos vazios. Mas, admite que pode ser um pouco frustrante, também, a busca, a ânsia. Dolorida, igualmente. Imagina que a beleza pode ser dolorida e que, ao final e ao cabo, feliz ou infelizmente, isso também faz parte do ser poeta. E Claudinei Vieira prossegue, entre as palavras, entre as perdas, entrechoques, aff, Poeta.