Lunna Guedes

2018-02-22 12.31.01

sagitariana. degustadora de cafés. uma flecha em voo rasante. colecionadora de silêncios e apreciadora de espaços urbanos. não gosta de fazer compras. detesta dias de sol. ama dias de chuva. aprecia o outono em qualquer hemisfério.

| escreve por escrever somente |

seu único compromisso é com seus abismos, onde salta para sentir a sensação de queda, sem pouso. adestradora de pretéritos e desafiadora de futuros… a direção na qual a ponta do grafite avança. sabe que seus escritos são obras inacabadas… nunca prontos. ponto final é uma coisa incompreensível. prefere reticências e cadernos com folhas de amarelecidos tons.

 


 

Lunna Guedes é autora de “reticências”,
da “trilogia lua de papel” — “septum” e “vermelho por dentro”
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Resenha | Lua de Papel

Por Adriana Aneli

… e foram virando peixes virando conchas
virando seixos virando areia
prateada areia
com lua cheia
e à beira-mar     

Chico Buarque


 

Posso imaginá-la, ainda criança, a desmontar seus brinquedos de corda. Um dia cresce a escritora: passa a desfrutar em seu caderno, recostada à cabeceira da cama, do mesmo prazer ao estudar detalhes, peça por peça… a entender funcionamentos, encaixes, os comandos de seus personagens.

Das experimentações de Lunna Guedes, nasce Lua de Papel: um romance em três partes — três personagens principais — três artistas… que, entre passado, presente e futuro se deixam aproximar, seduzir… enluarar.

A primeira que chega é Alexandra: prisioneira em fuga, barroca. Para a menina de Teodoro, a vida é julgamento, miragem — sempre quase.  A segunda traz a pele em brasa… urgências em atropelo: Raissa — escritora a tatuar liberdades no corpo e intensidades na alma.

Ousadia, flerte, contraponto: é Raissa quem dilacera Alexandra em suas próprias crenças e a transforma na Alex, dos livros um e dois. Até descobrir que a ela — também escritora — não bastaria ser uma de suas personagens. Maré morta… a ressaca.

Para Alex e Raissa, converge Anne — a fotógrafa sobrevivente —, que é densidade e serenidade, história contada… a suavidade única.

Entre desejos e rivalidades, a literatura de Lunna Guedes se multiplica em poesia. Alquimista… desprende aromas e sabores do papel impresso. Palavras dissecadas, — desenredadas em triângulos —, nuas em seu físico. Fluídas. Espirituais. Frases de céu, terra e inferno… que se misturam nos rituais de preparação de chá-banho-beijo… e de sono profundo — a verdadeira entrega.

A colecionadora nos toma pelas mãos e, com ela, percorremos um cenário povoado por personagens múltiplos. Caleidoscópicos. Urbanos. Baixa Augusta, Auditório do Ibirapuera, Campus universitário, vernissages…. Lunna nos alimenta de sua colheita, a cidade em sua melhor safra: a vida em ebulição!

Espectros de quem somos… Alex, Raissa e Anne nos alertam para nossos próprios entusiasmos. Sonhamos o voo, enquanto derretemos asas antes mesmo de nos deixar tocar o sol. Teodoro e seu coreto, seus habitantes e seu rio… A cidade cárcere é para onde voltamos, carregada aqui dentro e sem fuga possível: o livro três.

Li os três volumes de Lua de Papel, em estado de encantamento… e podia fechar os olhos certa de que a morte não me deixaria amanhecer dentro de um dia seguinte.

Outra lua de papel no céu…

…os convidados foram chegando aos poucos, povoando os espaços do Café entre esquinas — o favorito da autora, Lunna Guedes.

Os livros inacabados — sem laços — estavam empilhados em cima de uma mesa, no canto a multidão que trouxe abraços e sorrisos. Muito se falou da trama — dividida em três partes — porque a lua tem suas fases… e é preciso respeitar cada uma delas.

E foi exatamente o que fez a Autora, que tem lua no nome, na pele… e, alinhavou todas as fases: nova-crescente-cheia-minguante na capa — lindo projeto fotográfico de Mariana Montrazi Claus —, e nas páginas, dividida em capítulos nomeados com trechos de poemas de Ana Luisa do Amaral.

A primeira e a segunda edição se esgotaram nessa noite… e os convidados-amigos puderam ouvir a narrativa de trechos do livro, feito pela atriz Carla Martelli. E para fechar a noite: café… a bebida favorita de todos nós, personagens dessa noite de agosto.

Uma lua de papel no céu de São Paulo

Por Tatiana Kielberman


06 de agosto de 2015. Quinta-feira, 20h. Noite aparentemente comum nas ruas de São Paulo. Trânsito, caos, trabalho, assuntos rotineiros, compromissos, cansaço, cara amassada, chega-logo-por-favor-final-de-semana!

Mas… não era este o clima que envolvia os amigos mais próximos de Lunna Guedes, que se reuniram para conferir e prestigiar o primeiro livro da escritora — “Lua de Papel” — lançado pela Scenarium Plural, em modelo artesanal, com costura oriental.

O cenário escolhido não poderia ter sido mais próprio: a Starbucks da Alameda Santos — sua segunda casa — onde grande parte do enredo foi pensado, idealizado e construído… sempre com café, é claro!

Ao adquirirem o livro, os presentes receberam um “misterioso” pacote envolto por papel branco, que só poderia ser aberto em instante posterior — diante da Lunna, para o tão esperado autógrafo…

Ao desfazerem o embrulho, qual a surpresa? O livro não estava costurado… Mas é possível dizer que grande parte dos convidados já aguardava algo surpreendente assim.. afinal, se tudo já viesse pronto, não seria mesmo uma obra de Lunna Guedes…

Enquanto costurava cada um dos livros — de maneira personalizada, como já é praxe em seu trabalho —, Lunna aproveitou para tecer diálogos, trocar sorrisos e sentir a emoção contagiante em seu entorno. Olhares e abraços denunciavam o calor do momento — único não apenas para Lunna, mas para todos que acompanharam os detalhes do projeto, desde o início…

A atriz Carla Martelli também marcou presença no evento, interpretando um belíssimo trecho da novela, que deixou os presentes ainda mais curiosos para degustar as páginas de “Lua de Papel”…

Foi, enfim, uma noite de completude, onde estivemos ali, como fãs e admiradores de Lunna — e agora de Lua — para aplaudir mais uma conquista.