Notas do Autor | Literatura em tempo de crise

Por Marcelo Moro

 

O cenário literário brasileiro vive tempos de apreensão, graças à crise que se instalou no país e que é sentida nos bolsos de todos os brasileiros. E, a cultura, por não ser considerada um item de primeira necessidade, é sempre a primeira a perder espaço.

Acredita-se, no entanto, que em tempos de crise… o livro se transforme no melhor amigo do homem. Mesmo assim, o cenário atual não é dos melhores. Duas grandes editoras já fecharam suas portas e outras ameaçam deixar o mercado literário. O Prêmio Portugal Telecom perdeu seu principal patrocinador e acabou salvo no último minuto pelo Itaú Cultural… a Jornada Literária de Passo Fundo foi cancelada e a FLIP encontra dificuldades desde a última edição para conseguir verba. No Rio de Janeiro, a tradicional livraria Leonardo da Vinci fechou as portas. E, em São Paulo, já não é mais possível frequentar os principais sebos da cidade. A parceria entre a Companhia das Letras (que, recentemente, adquiriu parte da Cosac Naif) e a Livraria Cultura chegou ao final, fechando mais um espaço de livros na principal cidade do país.

Mesmo assim, nunca se vendeu tantos livros como atualmente… descontando os “clássicos” títulos de autoajuda, que sempre crescem como alternativa em meio às crises, e os novíssimos — e já fora da moda —livros de pintura ante estresse, esses démodé… os Clássicos voltaram às prateleiras e também às mãos dos leitores.

Os Clássicos da Literatura são formadores de leitores, escritores e do imaginário coletivo. Como falar de amor, sem citar Romeu e Julieta? Sua história é uma clássica aula sobre o amor que atravessa gerações.

Um dos meus livros favoritos é o Clássico: “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco… que narra a história de outros tantos livros… uma biblioteca inteira — descrita pelo autor como a maior do ocidente, livros artesanais, cópias feitas à mão e luz de velas para preservar o conhecimento. É arrepiante saber, na trama, o que faz o gesto, às vezes involuntário dos ávidos leitores, quando molham o dedo na língua para trocar de página…

É válido também ressaltar que a crise atual fez surgir um espaço significativo para pequenas Editoras, que oferecem ao leitor muito mais que um livro. Fazendo uso da criatividade, o “novo mercado editorial” acena com capas atraentes, uma moderna diagramação e impressões cada vez melhores.

Como autor, eu me aventurei pela publicação artesanal. Trinta exemplares numerados, costurados um a um com fitas. É um objeto novo, que agrada e choca ao mesmo tempo. O meu leitor é tratado de maneira diferente… seu exemplar é único e exclusivo.

A Literatura que atravessa crises é esta: criativa, inovadora e empreendedora, no modo de aproximar o leitor desse mundo mágico e encantador.

 

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Resenha | amor expresso

Por Marcelo Moro

 

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Desde muito cedo, aprendi que o café é uma arte… meus pais, amantes desse tesouro, me deram como herança tal apreço. Antes, meu bisavô — na cidade de Santa Cruz das Palmeiras, interior de São Paulo — cultivava, colhia, secava e ensacava o que viria como maravilha depois para nossas xícaras.

Sim, eu sou um viciado em café e, nesse vício, tenho certeza de que não estou sozinho no meio da multidão. Quando menos se espera, alguém levanta os dedos com o gesto típico de quem segura uma xícara, e pede: “um cafezinho, por favor!”…

No final do ano de 2015, a escritora e poeta Adriana Aneli reuniu 40 minicontos sobre o café, e publicou um delicioso e saboroso livro: Amor Expresso. Foi Amor à primeira vista.

O design do livro, em vermelho-paixão e preto café, despertam — nos amantes da literatura — bem mais que um desejo. Acende uma chama de curiosidade tamanha, que se compra primeiro pelo objeto… antes mesmo de se descobrir o conteúdo. As edições artesanais têm esse poder mas, no caso do Amor Expresso, é algo surpreendente.

As linhas de Adriana Aneli preenchem e transbordam nossas xícaras… têm ritmo. Um conto enlaça no outro, e vamos vivendo o café pelas ruas e lugares de São Paulo… com personagens inusitados e construídos, levando-nos a imaginar a vida de cada um deles além do cafezinho apresentado.

É preciso destacar também, com muito louvor, as ilustrações concebidas pela artista Cristina Arruda — que dão vida, gosto e cheiro a cada vaporzinho de café que sobra das páginas.

Não é à toa que um dos desdobramentos dessa obra de arte chamada Amor Expresso são as esculturas de Flávia Taiano, que foram inspiradas em cada miniconto, e compostas como xícaras que têm vida própria dentro da história de cada personagem. Suas características e feições, uma coleção ímpar e de muito bom gosto.

Li algumas vezes o livro todo e me encanto ainda com cada leitura. Sempre me sugerem café em boas quantidades e da melhor qualidade, deixando minha boca com aquele gosto de “quero mais”.

Um brinde com um bom café — Amor Expresso — a todos nós.

Resenha | O palco das ousadias de Marcelo Moro

Por Mariana Gouveia

 

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A primeira vez que me deparei com Teatro das Ousadias foi paixão ao primeiro poema e depois ao segundo, ao terceiro e daí por diante… ele veio até mim, destrinchado por uma amiga — ainda cru e mesmo assim deliciosamente ousado.

Com o livro pronto e mãos… eu ganhei o mar e suas ondas arrastando poesias na areia. A lua — amiga inseparável do poeta — desenhou em meu céu… tudo que eu lia.

Viajar pelo livro é saborear uma iguaria única servida aos poucos e deixando na boca o sabor de quero mais. É enveredar pelo mundo dos deuses, das deusas, de um deuso — o próprio poeta — e sentir que você pertence a ele.

Teatro das Ousadias é esse passeio pelo olhar que o poeta tem da poesia… ao folhear cada página, uma cortina se abre entre o encanto e a divindade… entre a magia e a realidade suprema dos poetas.

A ousadia explícita nas palavras, o despir-se diante do leitor… nos faz ousados também e, capazes de imaginar as sensações do homem-poeta, mesmo sendo um perigo constante desvendar a alma de quem escreve.

Não dá para limitar em uma frase a ousadia de Moro… por isso, apenas te convido a percorrer as linhas de seus versos e se sentir o protagonista desse palco que ele lhe oferece. Ouse.

 


 

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03 | Nem sempre a lápis | Marcelo Moro

[teatro de ousadias]

 

Fogo Fátuo

Você me vicia
em poucos dias estava a mercê dos teus cristais
Mágica fé morena , pequena em  fagulhas de cores
ensina-me a querer -te mais e mais
você me devolveu os poemas
seduziu para fora minhas rimas,
confundiu minhas soluções
e na solidão das minhas linhas materializa-se
em boca, língua, seios e vãos.
escrever-te em mel e tinta
deslizar por suas coxas raro pincel
que trace e desenhe e orne
ideogramas que revelem seu céu.

 


Marcelo Moro autor de ‘Teatro das Ousadias‘ — série exemplos de poesias da Scenarium — ano 2015.

Exemplos de Poesias | Teatro das Ousadias

Marcelo Moro

 

R$ 30,

 


 

Marcelo Moro é um poeta mambembe… é homem, mas também é instrumento onde notas reverberam inquietas. É silêncio nos olhos. Inquietude no coração. É um menino que quer ser gente grande amanhã.

A poesia de Marcelo é palco-teatro-platéia. É pantomima. É o eco que fica depois que os aplausos se encerram e o vazio que acomete o ator depois que se despe do personagem.

Senhoras e senhores, apresento: [teatro das ousadias]