Carta a 2018

Por Mariana Gouveia


“Todos os gestos do meu corpo e voz para fazer de mim a oferenda,
o ramo que o vento abandona no umbral.”
Alejandra Pizarnik

Carta a 2018

Querido Ano,

Da janela com cortinas esvoaçantes meus olhos alcançam a rua de cima nos minutos que você começa a nascer —  os fogos começam a pipocar nas redondezas — e eu antecipo o que vou viver… É quase um risco —  você diria — os dias serão longos e tudo a partir de agora é incerto.

Mas é bom que você saiba que sou corajosa e os desafios me move. Então, nesse diálogo em que me apresento a você farei promessas já marcadas com um x —  com a certeza de que tudo será feito da melhor forma para acontecerem.

Ouvirei nas tardes de janeiro as trovoadas anunciando tempestades de verão e nesses momentos serei parte da chuva que cai.

Em fevereiro, serei abraços e aconchego para amigos que encontrarei nas madrugadas logo ali, na rua de cima e prometo relembrar das canções preferidas de quem partiu e acolher aqueles novos que acontecerão.

Nas manhãs de março encantarei com o voo dos pássaros no meu quintal e mais uma vez a data do amor fará os dias amenos.

Em abril direi que você está voando e que tudo está sendo rápido demais e já será tempo dos rituais das sementes. A colheita das folhas para o chá ativará as lembranças.

Ah, ano novo! Em maio você já nem será mais considerado novo e prometo viver os dias dentro da doce rotina do encanto. A vontade de riso e de vento, essa, ficará em mim em todos os dias.

Junho me encontrará na emoção do colo de pai e as histórias serão revividas. Ganharei o afago dos cães e o vento me reconhecerá como a menina das fotos antigas.

Julho já serei cura e os corredores me encontrarão apenas para a emoção de abraço e reencontro com a vida e prometo mais uma vez viver na intensidade dos dias.

Agosto já terá em seus dias os ipês e seu estado de graça nas manhãs secas. O rio me acolherá no rito do desapego e tudo que não for bom será levado além das águas. Serei plena de Sete Luas e mais uma vez os sonhos se tornarão realidade. Andarei em calçadas a aspirar os ares e o abraço de uma bambina que me acolhe na alma como irmã.

Setembro florescerá no quintal e nas ruas as sementes plantadas em abril. Viverei como nunca as luas de outubro e em novembro, já estarei relendo as promessas que fiz.

Dezembro nos alcançará no riso das crianças que nasceram e mais uma vez te escreverei para o abraço final.

Prometo que então terei vivido o amor, o encanto e a serenidade das escolhas… que terei abraçado pessoas nas ruas e encontrado mulheres simpáticas dentro dos dias dispostas a recomeçarem… que terei conhecido histórias e me emocionado com elas. Terei vivido histórias e transformado elas em poesia e cartas.

É só o primeiro dia…. os primeiros minutos já se avançam dentro das horas dos próximos 365 dias, embora as pessoas só saberão no dia 15 as promessas feitas a você.
Vou ali começar a vivê-las.
Feliz dias novos!

Mariana.

 

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Cadeados abertos

Com Cadeados Abertos pretendo romper o lacre dos cadeados e ir além da liberdade concedida. Quebrar as correntes que nos prendem quando entre segredos de linhas desenhamos o real. Pretendo mostrar que o possível é apenas um vão entre o que me dizem: não pode!

Enfim, que o voo seja voo e a vontade respeitada…

Mariana Gouveia

Coletivo |Apresentação…

Por Lunna Guedes…

 


 

Há pouco mais de uma semana, voltei às minhas caminhadas diárias… hábito que havia abandonado desde que o cão nos deixou. Ele era o meu parceiro de calçadas-esquinas-ruas-pracetas… com seus passos lentos e constantes pausas: em postes, árvores e portões. Era um curioso nato, que gostava imenso de se aventurar em certos cenários… e eu me deixava conduzir por seu faro aguçado. Nunca estava errado em suas escolhas. Eu era um barco, e ele a bússola a apontar para essa espécie de Norte.

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O lado de dentro

Sabe aquela pele que arrepia e que toca a alma?

Sabe aquele gesto que faz com que você pare, suspire e inspire?

Sabe qual é a maior pretensão do lado de dentro?

Emocionar.

 

Mariana Gouveia

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