Emerson Braga

SONY DSC…nasceu em 12 de agosto de 1976, é brasileiro e natural de Fortaleza, no estado do Ceará. Nos primeiros anos de sua vida, teve problemas de aprendizado. Não conseguia ler ou escrever coisa alguma, o que se tornou motivo de muita infelicidade. Empenhou-se tanto na conquista de sua alfabetização que a palavra acabou por ganhar importante significação em sua vida. Adquirido o conhecimento, ainda aos sete anos de idade, escreveu seu primeiro conto: A Praia Ruim.
Cursou Letras na UECE (Universidade Estadual do Ceará) e hoje trabalha no Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado do Ceará, SINCOR/CE. Tem vários trabalhos literários publicados, inclusive sua primeira antologia de contos.

 


Emerson Braga é autor de ‘muiraquitã’
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Palavra do Editor | Muiraquitã…

Por Lunna Guedes


 

Fecho-me dentro… janelas e portas. Lá fora todos os sons se orientam. As reformas-construções de cenários se multiplicam e eu identifico — mesmo sem querer — cada um dos ruídos de máquinas e homens. Tento me afastar da realidade comum — de minutos-horas-dias-semanas-calendário-sobre-a-mesa-relógio-sem-bateria-no-pulso —, a cada pesado gole de vinho tinto…

Descalça, trajando apenas uma peça de roupa… me esparramo sob o lençol e me atraco ao calhamaço de folhas onde os contos de Muiraquitã se orientam. Estou dentro de outro-eu…

Emerson é um autor dual, que resolveu transitar livremente pelo universo feminino — diariamente violentado, silenciado… — que sangra até a última gota de sangue com uma perspicácia típica de quem se alimenta da realidade em cada passo dado, consciente de que ficcionar a vida é para poucos — os loucos.

Depois de uma dezena de leitura… me pus a observar as folhas espalhadas por cima do lençol branco numa desordem natural. Havia muitos riscos-rabiscos e uma desordem natural de páginas. Começo. Meio. Fim… devidamente embaralhados. Mas conhecia muito bem cada personagem-pessoa e suas histórias.

Andei pelo quarto de um lado ao outro, ao redor do próprio eixo. Marcha inquieta. Engoli o que restava de vinho no fundo da taça. Precisava de ritmo… outra taça-garrafa-pele… outros ruídos. Recorri à Patti Smith e sua versão de “smell like teen Spirit” deixada no repeat… que me fez perceber que ler Muiraquitã é deixar a própria pele que habito e ir às ruas… andar calçadas, dobrar esquinas, ver gente, não ver ninguém, entrar e sair de ambientes esfumaçados, esbarrar em anatomias pulverizadas — personagens mambembes… com seus olhares severos-sérios-amedrontados-desconfiados-manchados-indiferentes-delineados-opacos-perversos-raivosos-exaustos — a caminho do trabalho-supermercado-escola-casa. Mulheres acompanhadas-solitárias-perdidas-abandonadas-sem-rumo-desiludidas-sonhadoras-apaixonadas-afoitas… damas da vida. Vida que nem sempre reserva o melhor lugar na platéia-palco-bastidores. Nem sempre reserva porque esse é um mundo de homens, feito por eles, para eles… E estão certos desde o nascimento que o que é deles está guardado, só se precisa pagar o preço.

O autor pincelou a realidade em busca de histórias conhecidas que ninguém quer ouvir-saber. A maioria fica guardada-esquecida no fundo de alguma gaveta. Vez ou outra ganha voz nas falas de certas damas que fazem questão de não deixar esquecer o passado, na esperança de que o futuro seja realmente possível para alguém que não elas.

As famílias — sabemos — são sempre constituídas por Santas… figuras sensatas-prendadas-cabisbaixas que sabem seu lugar no mundo-vida e que foram ensinadas desde o nascimento a honrar o que há de mais sagrado no mundo: pai-mãe-espirito-santo-marido-filho… menos a si, seus corpos-sentimentos-vontades-desejos e, por isso, as portas-pernas devem permanecer trancadas por dentro para que nada escape à meia noite. Amém.

Emerson Braga, no entanto, lhe entrega as chaves…


MUIRAQUITÃ
Emerson Braga

 

R$ 35,