Crônica | Tatiana Kielberman

as melhores paisagens surgem
de soslaio quando não há espera

Lou Vilela

 


 

Faz pouco tempo desde que aprendi a degustar de fato a cidade que habito — e que, inevitavelmente, também mora em mim. A princípio,
apenas me via residindo em um prédio qualquer de suas ruas, pois foi aqui que nasci… e, do meu ponto de vista, não havia outra opção plausível para onde eu pudesse me mudar.
É bem provável que São Paulo seja mesmo esse anfitrião distante, ao tomarmos um primeiro contato com as paredes imaginárias que lhe envolvem. Mas, nem por isso é isento de se mostrar
acolhedor conforme os anos passam — e, assim… nos apaixonamos por sua paisagem, cada vez mais.
Eu gosto da diversidade que o cenário da “terra da garoa” me concede. Aprecio cada uma de suas marcas registradas, os cartões de visita e as imprevisibilidades envolvidas em seu ritmo. Penso que comecei a me tornar mais amiga de São Paulo ao deixar de ter medo do que a cidade poderia me oferecer. Não foi um processo fácil. Praticamente um reconhecimento de terreno — absurdamente necessário…
Hoje, defendo seu nome com unhas e dentes. Morar aqui já não se configura mais como uma falta de opção, mas sim pura escolha. Entre pressas, agitos, multidões e vida sem fim, eu sigo preenchendo os espaços paulistas — e sei que há muito mais ainda a ser desvendado.
Talvez este seja apenas o breve início de uma deliciosa e inesperada história de amor…

 



‘a cidade que acena para mim lá de fora’
, do livro ‘detalhes intimistas


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Promessas (?) de ano novo…

Por Tatiana Kielberman


Um dia por vez sempre me pareceu missão impossível. Estava o tempo todo no passo seguinte. Nas ansiedades que perseguiam meus medos e me deixavam insone.
De uns tempos para cá, algo mudou. Não sei precisar a hora exata, nem mesmo a circunstância… mas, sinto meus pés tocarem o chão a cada caminhar.
Escolho entre o tudo e o nada. Dou vazão às tristezas-alegrias-sentimentos-muitos que constroem o que sou.
Entendo que o ontem foi uma chance para existir um amanhã melhor. E as perdas — inevitáveis — me ajudam a encarar com mais leveza o que realmente importa.
Para este ano, que já é velho, não fiz juras… apenas ofereci presença.
Não estabeleci metas, nem propus prazos… marquei um encontro somente com a essência.
Hoje, entendo que certo e errado são valores relativos que a gente cria… e adora acreditar no que inventou.
Prefiro viver no intervalo do que sinto e me cai bem… ao encostar a cabeça no travesseiro, vale mais do que qualquer promessa (não) cumprida.

Palavra de Editor | Detalhes Intimistas

Por Lunna Guedes
Editora Scenarium

 


 

É preciso dizer que o universo dos livros — longe das estantes — é fascinante. Antes de existir em seu formato ‘tradicional’, de capas e páginas… o livro em si é apenas um emaranhado de folhas, com milhares de palavras. Antes de alcançar a estante, o livro passa pelo processo de criação — onde pode não ter tempo de ser mais que um mero rascunho…

Escreve-se muito, o tempo todo: enquanto se pisa calçadas, atravessa ruas… toma-se um café no meio da tarde, come-se uma generosa fatia de bolo. O pensamento não para… mas, nem sempre se tem tempo para espantar as sombras com o martelar das teclas do computador.

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